Elisabeth Ubbe para The New York Times
Elisabeth Ubbe para The New York Times

Greta Thunberg e líder indígena Davi Kopenawa vencem 'Nobel alternativo'

Greta inspirou jovens e amplificou demandas por mudanças climáticas urgentes; Kopenawa foi reconhecido pela luta entre os indígenas e pela defesa da Amazônia

Da Redação, EFE

25 de setembro de 2019 | 11h32

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg recebeu nesta quarta-feira, 25, um prêmio da fundação Right Livelihood Award conhecido como 'Nobel Alternativo'. De acordo com a instituição, Greta, de apenas 16 anos, "inspirou" e "amplificou" as demandas políticas "por uma ação climática urgente que reflete fatos científicos", tornando-se a "voz poderosa" de toda uma geração de jovens. A adolescente sueca iniciou uma greve escolar em setembro do ano passado, diante do Parlamento, pedindo medidas contra as mudanças climáticas, dando origem ao movimento "FridaysForFuture" (Sexta-feira para o Futuro).

Greta foi recebida por líderes mundiais e participou de conferências de alto nível, como a Cúpula de Ação Climática, realizada na sede das Nações Unidas. Durante o evento, ela acusou chefes de Estado e de Governo de não fazerem o suficiente para reverter a crise climática.

Também recebeu o 'Nobel Alternativo'  o líder indígena Yanomami Davi Kopenawa, do Brasil. A eleição de Kopenawa e da associação Hutukara Yanomami, fundada por ele em 2004, recompensa a luta "corajosa" para proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia e as terras e a cultura dos povos indígenas. De acordo com a fundação, o território defendido por Kopenawa é uma das reservas mais importantes de diversidade genética do planeta, mas as pressões para explorar os recursos da Amazônia causaram a invasão de suas terras, que dizimaram 20% de sua população nas últimas duas décadas do século passado. 

Outras vencedoras

Aminetu Haidar, conhecida como 'Gandhi saharaui', e a advogada chinesa Guo Jianmei também receberam a premiação. O prêmio dá um 1 milhão de coroas suecas, pouco mais de US$ 100 mil, a cada vencedor.

No caso de Haidar, a decisão enfatiza "sua ação firme e não violenta, apesar da prisão e tortura, em busca de justiça e autodeterminação" para seu povo, bem como sua dignidade e vontade. Desde a juventude, Haidar organizou manifestações, documentou casos de tortura e protagonizou várias greves de fome para chamar a atenção para a situação do povo saharaui. 

Fundadora e presidente do Coletivo de Defensores Saharauis dos Direitos Humanos (CODESA), tornou-se conhecida em 2009 pela greve de fome de um mês no aeroporto da ilha de Lanzarote (Espanha) para protestar contra sua expulsão de El Aaiún (Saara Ocidental) e a retirada do seu passaporte através de Marrocos. 

Considerada uma das mais reconhecidas advogadas de direitos humanos na China, Guo Jianmei se destaca por seu trabalho "pioneiro e persistente" por mulheres em seu país de origem. Guo Jianmei promoveu várias organizações através das quais ajudou "milhares de mulheres desfavorecidas" a acessar a justiça, com uma rede de advogados que reúne mais de 600 advogados oferecendo assistência gratuita em toda a China.

De acordo com a fundação, os vencedores são "visionários práticos", cuja liderança levou milhões de pessoas a defenderem seus direitos e lutarem por um futuro aceitável para tudo na Terra", disse o diretor da fundação, Ole von Uexkull, em comunicado. O prêmio foi instituído em 1980 pelo escritor sueco-alemão e ex-deputado Jakob von Uexküll. 

 

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