Susana Vera/Reuters
Susana Vera/Reuters

Na COP, Greta Thunberg critica postura de políticos e empresários na luta do clima

Ativista de 16 anos diz que muitas promessas para equilibrar as emissões de carbono excluem o impacto do transporte marítimo, da aviação e do comércio internacional; jovens subiram no palco e cantaram cobrando ações dos governos

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 08h38

MADRI - A jovem ativista Greta Thunberg acusou nesta quarta-feira, 11, líderes políticos e empresariais de preferirem cuidar de suas próprias imagens a tomar medidas agressivas na luta contra a mudança climática. A crítica foi feita na Conferência do Clima da ONU (COP-25), realizada em Madri.

"Parece que isso se tornou algum tipo de oportunidade para os países negociarem brechas e evitarem ampliar sua ambição", disse a sueca de 16 anos sob aplausos.

"Eu ainda acredito que o maior perigo não é a inatividade, o real perigo é quando políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma movimentação real está ocorrendo quando, na verdade, quase nada é feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas", acrescentou.

Durante sua fala, a ativista sueca afirmou que, na luta contra a mudança climática, "há esperança, mas ela não vem dos governos nem das empresas", e sim da sociedade e das pessoas, que "começam a despertar" e liderar ações contra essa emergência. 

Veja trecho do discurso de Greta Thunberg na COP-25:

Em Madri, líderes políticos estão lidando com pendências na implementação do Acordo de Paris de 2015, que visa a evitar o aquecimento global catastrófico, incluindo a árdua questão da contabilização das emissões de carbono. Muitas nações e empresas confiam na ideia dos mercados de carbono para cumprir as metas de redução da emissão de gases de efeito estufa e ajudar a limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Defensores dos mercados de carbono afirmam que podem servir para reduzir o custo de redução de emissões e permitir que os países se comprometam com metas mais ambiciosas. Outros os veem como uma maneira de impedir ações mais agressivas para reduzir as emissões.

Greta disse que muitas promessas para equilibrar as emissões desse modo excluem o impacto do transporte marítimo, da aviação e do comércio internacional, e pediu uma ação mais rápida.

"Zero em 2050 significa nada se a alta emissão continuar mesmo por poucos anos", afirmou "Para ficar abaixo de 1,5ºC, precisamos manter o carbono no piso", afirmou a ativista, que se tornou um símbolo da indignação da juventude com as gerações mais velhas e as classes políticas por prolongarem a crise ambiental.

Ao final de sua fala, um grupo com cerca de 50 jovens subiu ao palco cantando e pedindo mais ações dos governos./EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.