Mateus Vargas/Estadão
Mateus Vargas/Estadão

Greenpeace vai à Justiça contra Ricardo Salles por insinuações sobre autoria de vazamento de óleo

Mais cedo, Salles insinuou no Twitter que navio do Greenpeace estava onde teria ocorrido derramamento de óleo

André Borges e Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 17h07

BRASÍLIA – A organização ambiental Greenpeace vai acionar, na Justiça, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pelas declarações publicadas pelo ministro no Twitter, na qual insinua que o barco da ONG estava na mesma área suspeita de derramar o petróleo cru que se espalhou pelo litoral do Nordeste do País.

Ao Estado, o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Marcio Astrini, disse que a área jurídica da organização já foi mobilizada e que Ricardo Salles será interpelado judicialmente. “Iremos à Justiça contra as falsas declarações feitas pelo ministro”, disse Astrini. “A decisão está tomada. Agora, será analisada por nossa área jurídica”.

Nesta quinta-feira, 24, mais cedo, Ricardo Salles usou a rede social Twitter e fez a seguinte declaração: “Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano...”

O Ministério do Meio Ambiente foi questionado se, de fato, realiza algum tipo de investigação que envolva a embarcação do Greenpeace, mas não se manifestou sobre o assunto. O Estado também pediu um posicionamento da pasta a respeito da decisão do Greenpeace, de processar Salles pelas declarações que publicou, mas o MMA não respondeu ao pedido até o momento.

Em reação às afirmações do ministro, o Greenpeace publicou uma nota, na qual afirma que, “enquanto o óleo continua atingindo as praias do Nordeste, o ministro Ricardo Salles nos ataca insinuando que seríamos os responsáveis por tal desastre ecológico”. “Trata-se, mais uma vez, de uma mentira para criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação”, declarou o Greenpeace.

A organização afirmou que seu navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. A embarcação passou pela Guiana Francesa entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do recife conhecido como Corais da Amazônia, segundo o Greenpeace, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai.

Posição oficial

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou uma posição oficial do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) sobre a origem do vazamento de óleo que desde setembro tem chegado às praias do Nordeste.

"Estamos esperando uma posição oficial do Ministério do Meio Ambiente", escreveu Maia em seu Twitter. Na mesma publicação, o deputado compartilhou uma reportagem sobre um tuíte de Salles que insinuava que a organização ambiental Greenpeace estaria por trás do vazamento.

"Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano", tuitou Salles.

Em resposta, o Greenpeace divulgou nota dizendo que o ministro mente "para criar uma cortina de fumaça" que esconda a "incapacidade de Salles em lidar com a situação".

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