Greenpeace pede a Obama que lidere a mudança climática

Organização acusa presidente dos EUA 'de ficar calado' diante da questão da emissão de gases-estufa

Efe,

13 Novembro 2009 | 13h24

Às vésperas da chegada do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, à China, a ONG Greenpeace pediu ao governante americano nesta sexta-feira, 13, em Pequim "sua liderança imediata" com relação aos temas da mudança climática, um dos principais assuntos que serão tratados na capital chinesa na próxima semana.

 

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Segundo a organização, "as peças para conseguir um forte acordo estão sobre a mesa, no entanto, ainda falta a liderança dos EUA em todas as questões importantes, incluindo a contaminação de carbono". "A popularidade de Obama no cenário mundial não está à prova de balas e por isso ele deve participar mais ativamente", no que se refere à mudança climática, disse Kyle Ash, do Greenpeace.

 

A organização acusou o presidente dos Estados Unidos "de ficar calado, enquanto seus negociadores obstruem o andamento de um dos mais importantes acordos da época". "Os EUA falharam ao não se comprometerem quanto à redução drástica de suas emissões, e no financiamento econômico dos países em desenvolvimento para prevenir e adaptar-se às mudanças climáticas", sentenciou o Greenpeace.

 

A associação ainda reiterou que "Obama tem a autoridade e as ferramentas necessárias para avançar nas propostas da legislação americana". "Internacionalmente, os Estados Unidos devem apoiar que os países industrializados reduzam as emissões entre 25% e 40% em 2020 com relação a 1990 para que o aquecimento global não supere os dois graus", acrescentou.

 

'Troca de favores'

 

O que a China quer dos EUA, disse Yang Ailun, membro do Greenpeace na China, é "que demonstrem um forte compromisso de redução de emissões de gases e que apoiem financeiramente e com tecnologia os países em desenvolvimento".

 

Por sua vez, os Estados Unidos esperam mais ações por parte dos países em desenvolvimento e que a China seja mais específica e mais transparente.

 

Yang lembrou que a China parece estar preparada para atuar como já disse em setembro o presidente da China, Hu Jintao, ao anunciar que seu país fará um esforço para reduzir o dióxido de carbono e combater a mudança climática até 2020.

 

O gigante asiático, assim como outros países em desenvolvimento, não está obrigado a reduzir suas emissões de acordo com o Protocolo de Kioto ainda em vigor, mas as nações como os EUA pressionam para que o país asiático e outras grandes nações emergentes, como Índia e Rússia, adotem uma maior responsabilidade em futuros acordos.

 

A cúpula de dezembro em Copenhague tentará conseguir um possível pacto internacional - que substituiria o Protocolo de Kioto, que expira em 2012 -, embora os países desenvolvidos temam que não haja acordo se a China não aceitar o compromisso firme de limitar suas emissões de gases.

 

O Protocolo de Kioto, aprovado em dezembro de 1997 e que entrou em vigor em 2005, foi o primeiro acordo que limitou as emissões de gases causadores do efeito estufa nos países industrializados.

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