Greenpeace: florestas podem prejudicar mercado de carbono

ONG afirmou também que créditos de carbono florestal podem desacelerar a luta contra o aquecimento global

ALISTER DOYLE, REUTERS

30 Março 2009 | 18h21

Os preços do mercado de carbono podem despencar 75% se os créditos para a salvaguarda de florestas forem acrescidos aos mercados para as emissões industriais, disse a entidade ambientalista Greenpeace nesta segunda-feira, 30.

 

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Um relatório divulgado durante uma reunião da ONU em Bonn disse que uma onda de créditos relativos ao carbono florestal poderia também desacelerar a luta contra o aquecimento global e desviar bilhões de dólares que poderiam ser investidos em tecnologias limpas.

"Créditos florestais baratos soam atraentes, mas um exame mais atento mostra que eles são uma opção perigosa", disse Roman Czebiniak, consultor do Greenpeace, citando estimativas feitas pela neozelandesa Kea3.

Cerca de 175 nações estão reunidas em Bonn entre 29 de março e 8 de abril para discutir medidas contra o aquecimento global. Entre elas estão formas de reduzir o desmatamento em regiões tropicais, o que representa um quinto das emissões humanas dos gases do efeito estufa.

As árvores absorvem o dióxido de carbono (CO2, principal gás do efeito estufa) quando crescem, e o liberam quando são queimadas ou apodrecem. Estabelecer um preço para as árvores intactas poderia salvar florestas em lugares como Amazônia ou Congo da ação de madeireiros e agropecuaristas.

"Incluir medidas de proteção florestal nos mercados de carbono iria derrubar o preço do carbono em até 75 por cento e descarrilar os esforços globais para enfrentar o aquecimento global", disse o Greenpeace.

Sob as atuais políticas nacionais para a limitação de emissões, o valor-base citado no relatório é de 16,05 euros por tonelada de carbono, e o Greenpeace disse que ele poderia cair para 3,90 euros (5,16 dólares).

"Países como China, Índia e Brasil poderiam perder dezenas de bilhões de dólares para investimentos em energia limpa se as medidas de proteção florestal forem incluídas em um mercado irrestrito de carbono", acrescentou o relatório.

Até agora não há acordo sobre como precificar o carbono florestal em um novo tratado climático da ONU, que deve ser aprovado ainda neste ano para vigorar a partir de 2013. Há sugestões como a criação de um mecanismo de comércio de créditos ou a adoção de novos impostos nos países desenvolvidos.

No ano passado, um relatório da Comissão Europeia sugeriu que a União Europeia não permita que as indústrias alcancem suas metas climáticas para 2020 por meio do mero financiamento à conservação florestal nos países tropicais.

"Permitir que empresas comprem créditos por desmatamento evitado resultaria em sérios desequilíbrios entre oferta e demanda", disse o relatório. Ele acrescentou que as emissões por desmatamento alcançam o triplo do que as emissões regulamentadas pelo esquema de créditos da UE.

(Reportagem adicional de Gerard Wynn e Michael Szabo em Londres)

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