Greenpeace denuncia falta de regulamentação ambiental no rio Yangtze

Indústrias químicas despejam resíduos que podem imitar hormônios e afetar a saúde de animais e humanos

Associated Press, Associated Press

25 de agosto de 2010 | 12h37

PEQUIM - O grupo ambientalista Greenpeace denunciou a falta de regulamentação sobre descargas poluentes para o rio Yangtze, em um relatório divulgado nesta quarta-feira, 25.

 

O relatório detalha a presença de alguns produtos químicos que são proibidos em vários países da União Europeia (UE), porque podem afetar a saúde dos organismos vivos, incluindo os seres humanos e que, na China, pelo contrário, estão cada vez mais sendo usados devido à ausência de regulamentação sobre o assunto.

 

O Greenpeace coletou amostras de peixes que normalmente servem de alimento para os habitantes das quatro cidades industriais ao longo do rio.

 

Quase todos os peixes analisados contêm doses de alquifenoles como nonilfenol e octifenol, usados principalmente em detergentes e produtos para a fabricação de couro e têxteis.

 

Vários compostos de perfluorinatados foram encontrados, produto normalmente usado em limpeza de gordura em embalagens de alimentos, têxteis, cosméticos e produtos de plástico.

 

Wu Yixiu, um porta-voz do Greenpeace na China, disse que as substâncias químicas encontradas "podem imitar certos hormônios como estrogênio natural e, por conseguinte, alterar o sistema endócrino de várias maneiras."

 

Yixiu acrescentou que alquifenoles agem como "misturador de gêneros", pois provoca alterações no desenvolvimento sexual dos seres vivos, indicou que o estudo descobriu que peixes machos diversos contaminados com a substância química desenvolveram órgãos de peixes fêmeas.

 

Estima-se que 400 milhões de pessoas subsistem direta ou indiretamente graças ao rio Yangtze, o mais longo da China e que fornece água a 186 cidades.

 

Além disso, cerca de metade das indústrias do gigante asiático estão acumulados na área da bacia hidrográfica do rio.

 

"A contaminação dos peixes de rio é um indicador de grande preocupação sobre o estado de poluição do Yangtze", disse.

 

"O que é mais preocupante é que estes produtos químicos continuam a se acumular em organismos vivos, já que eles podem levar décadas a desaparecer", acrescentou.

 

A indústria pesada e a agricultura, que abusa de pesticidas e fertilizantes químicos, são as principais causas da poluição do Yangtze.

 

A China é um dos países mais poluídos do mundo, devido principalmente à rápida industrialização que tem visto no país, cuja fortuna foi construída, em parte, à custa da exploração dos recursos naturais, sem qualquer controle ou supervisão.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 100 mil mortes por ano que a China sofre por doenças relacionadas diretamente com a poluição de suas águas.

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