Grandes economias buscam progresso em financiamento para adaptação às mudanças climáticas

Principais emissores estiveram reunidos nos EUA discutindo ações para próxima cúpula do clima, em Cancun

Reuters

20 Abril 2010 | 14h03

Representantes dos maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo estão buscando progressos na discussão sobre financiamento para ajudar na adaptação de países subdesenvolvidos ao aquecimento global. O encontro das grandes economias terminou nesta segunda-feira numa reunião em que os Estados Unidos foi o país anfitrião, segundo o principal negociador climático do governo do presidente Barack Obama, Todd Stern.

 

O Fórum das Maiores Economias em Energia e Clima incluiu apresentações dos Estados Unidos e outros países desenvolvidos sobre as ações a serem tomadas em relação ao financiamento para adaptação às mudanças climáticas, algo previsto no Acordo de Copenhague, que resultou da cúpula do clima na Dinamarca em dezembro de 2009.

 

"Há um reconhecimento para todos na sala de discussões de que é importante fazer algo de bom com relação a este compromisso", disse Todd Stern. Segundo o Acordo de Copenhague, será necessário um fundo de US$ 30 bilhões até 2012 para auxiliar os países em desenvolvimento a se adaptarem às mudanças climáticas e mitigar seus possíveis efeitos, como enchentes, secas e tempestades mais intensas.

 

O acordo também prevê financiamento de longo prazo por parte dos países desenvolvidos chegando a US$ 100 bilhões por ano até 2020. As discussões oficiais sobre esse fundo a longo prazo estão sendo organizadas por um painel separado das Nações Unidas, liderado pelo Reino Unido e pela Etiópia.

 

Após o fim da reunião na segunda, Stern disse que os participantes das 17 economias - incluindo China, Índia, União Europeia e Rússia - tiveram um debate abrangente sobre o que pode ser feito na próxima cúpula do clima, que será em novembro, em Cancun, no México.

 

Stern afirmou que talvez um acordo legalmente vinculante de corte de emissões globais pode não ser possível no México, mas ainda se pode progredir em muitos temas. "Haverá um suporte considerável para a noção de um acordo legal, mas acredito que as pessoas também estão bastante conscientes de que isso pode não acontecer."

 

Ele alertou que as esperanças de progresso podem muitas vezes ser muito altas, dizendo que existe "uma grande avaliação e apreciação de que as expectativas não superem demais o que pode ser feito" em Cancun.

 

Os Estados Unidos são o único país industrializado que não faz parte do Protocolo de Kyoto, um tratado obrigatório da ONU para corte de emissões de gases de efeito estufa em países desenvolvidos em pelo menos 5% entre 2008 e 2012, com base nos níveis de 1990.

 

A legislação americana sobre mudanças climáticas e energia está prevista para ser apresentada no dia 26. Enfrenta um futuro incerto frente à dura oposição de legisladores de estados americanos cujas economias dependem muito dos combustíveis fósseis.

 

Na reunião desta segunda, os Estados Unidos apresentaram um documento aos participantes dizendo que o orçamento relacionado à questão climática do país para 2010 é de US$ 1,3 bilhão e que a administração Obama já requisitou um orçamento de US$ 1,9 bilhão para o ano fiscal de 2011.

 

Os recursos incluem também suporte à proposta americana de providenciar US$ 1 bilhão para o Programa das Nações Unidas para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (Redd).

 

De acordo com Stern, houve progressos em seis itens na reunião: mitigação, transparência de informações, financiamento, tecnologia, florestas e adaptação.

 

Esta foi a sexta reunião do grupo desde que o presidente Obama lançou as discussões no ano passado. O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Michael Froman, disse que os participantes consideram organizar mais um encontro até a metade do ano.

 

Representantes de alguns países participaram da reunião por videoconferência por causa dos voos cancelados após a erupção vulcânica na Islândia. Estiveram presentes os representantes da Colômbia, da Dinamarca e do Iêmen.

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