Governo nepalês faz reunião no Everest em alerta para o clima

Premiê e 23 ministros do país assinaram no evento declaração que prevê aumentar áreas protegidas do Nepal

Efe,

04 Dezembro 2009 | 11h12

Com casacos pesados, cachecóis e máscaras de oxigênio, Governo nepalês se reuniu no Everest 

 

KATMANDU - Alarmado pelos devastadores efeitos da mudança climática no Himalaia, o Gabinete nepalês subiu nesta sexta-feira, 4, a mais de 5 mil metros de altitude, perto de um acampamento base no Monte Everest, para pedir um "sacrifício" aos países desenvolvidos que reduza as emissões de gases do efeito estufa.

 

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"A Terra é nossa morada comum. Para salvar a Terra, é necessário maior sacrifício das nações que emitem grandes quantidades de (dióxido de) carbono (CO2)", disse o primeiro-ministro nepalês, Madhav Kumar Nepal, em um evento transmitido ao vivo pela radiotelevisão estatal.

 

Durante esta singular reunião do Executivo nepalês, com a presença de 23 dos 27 ministros, o Governo adotou a Declaração do Everest, de dez pontos, na qual se compromete a minimizar os efeitos da mudança climática e pede uma ação global.

 

"O Himalaia é importante não só para o povo do Nepal, mas para o 1,3 bilhão de pessoas que dependem da água de suas montanhas para sobreviver", lembrou o primeiro-ministro, poucos dias antes do início da cúpula sobre o clima em Copenhague.

 

Os ministros, com casacos pesados, gorros e cachecóis, tiveram que usar máscaras de oxigênio para suportar os 5,242 mil metros de altitude em Kala Patthar, perto de um acampamento base do Everest, onde foram colocadas cadeiras e mesas para realizar a reunião do Gabinete ao ar livre. As deliberações foram dificultadas pelo vento, por isso os ministros, com faixas azuis com a inscrição "Vamos Salvar o Himalaia", utilizaram alto-falantes para falar. Uma equipe de médicos e outra de montanhistas acompanharam os membros do Governo em sua subida no Everest, aonde tinham chegado por via aérea.

 

A reunião em grande altura ocorre depois da realizada em 17 de outubro pelo Governo das Maldivas, que fez uma reunião sob o mar com a mesma intenção. "É uma reunião muito importante e histórica", resumiu o primeiro-ministro nepalês, que insistiu em que o Himalaia tem um papel fundamental no equilíbrio ambiental da Terra. Como lembrou durante seu discurso, apesar de o Nepal contribuir de forma mínima para as emissões de CO2, os pobres deste país são os mais vulneráveis ao aquecimento global.

 

A Declaração do Everest prevê aumentar as áreas protegidas do Nepal (dos 20% atuais a 25%), ajudar as comunidades atingidas a se defender dos efeitos da mudança climática e colaborar com outros países para minimizar o impacto. O documento também apoia a ideia de alguns países desenvolvidos de destinar 1,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para um fundo global que sirva para levar a emissão de gases do efeito estufa aos níveis da época pré-industrial.

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