Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Governo federal estuda criar regulamento de reúso da água industrial

Ministra do Meio Ambiente afirmou que Rio de Janeiro e São Paulo já discutem possíveis destinações, como a comercialização

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

23 Abril 2015 | 12h58

Atualizada às 20h16

SÃO PAULO - A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse, na manhã desta quinta-feira, 23, que o governo federal também estuda criar um regulamento nacional de reúso de água industrial. Na abertura do Seminário Internacional sobre Gestão da Água em Situações de Escassez, que se encerra nesta sexta, Izabella explicou que um dos propósitos do evento é debater experiências internacionais em relação ao tema.

Segundo a ministra, embora ainda não haja uma legislação federal definida sobre o assunto, São Paulo e Rio vêm discutindo possíveis destinações da água de reúso industrial, como a comercialização. O governo federal ainda avalia se o regulamento será em formato de lei, norma ou decreto. 

“O Brasil tem desperdício de água. Temos de ser mais eficientes na distribuição e na questão da irrigação, na questão industrial, além de resolver burocracias da água de reúso industrial. Se tem burocracia, se têm entraves legais, é importante que avancemos o debate na sociedade brasileira e modernizemos isso”, explicou Izabella. 

A ministra discorda da ideia de que a única responsável pela crise hídrica seja a indústria e afirma que o mais preocupante hoje é a taxa de eficiência da água. “Temos de entender que o problema não é só da indústria. É de distribuição. Qual é a taxa de eficiência disso? O Brasil tem sistemas modernos, com taxa em torno de 27% e 30% de perda, e sistemas muito ruins, em torno de 78% de perda. É importante discutir o todo. De onde eu capto, como aloco, os mananciais que estou captando água, se tenho proteção desses mananciais”, disse.

Izabella admitiu que o Brasil vive uma “situação grave” de escassez e destacou que há municípios em colapso na Região Nordeste, no norte do Estado de Minas Gerais e em outros Estados do Sudeste e do Sul. “Temos um fenômeno meteorológico acontecendo. É o terceiro ano com menos chuva do que o esperado. E estamos entrando no quarto. O que aconteceu no ano passado surpreendeu aqui no Sudeste do ponto de vista de série histórica. Agora, nós temos de esperar concluir a chuva”, disse a ministra. 

Segundo Izabella, o governo federal tem trabalhado com medidas de contingência para a gestão da crise e tomado decisões estruturantes em relação à gestão. O ministério estuda ainda a realização de uma feira tecnológica no Brasil para debater medidas de eficiência hídrica. Em 2018, o País será sede do Fórum Mundial das Águas, que ocorrerá em Brasília. 

Pelo mundo. Representantes de oito países debateram o tema durante o seminário. Entre eles estão Espanha e Uruguai que, segundo Izabella, também têm enfrentado escassez de água.

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