Governo dos EUA exige da BP garantia sobre limpeza do óleo

Em carta, secretários pedem confirmação de que companhia não vai se limitar a pagar mínimo exigido pela lei.

BBC Brasil, BBC

15 Maio 2010 | 21h57

O governo dos Estados Unidos exigiu em uma carta endereçada ao presidente da petrolífera BP, Tony Hayward, no sábado esclarecimentos imediatos sobre o compromisso da empresa de bancar os prejuízos causados pelo derramamento de óleo no Golfo do México.

Autoridades do governo do presidente Barack Obama enviaram uma carta à companhia, na qual afirmam querer garantias de que a BP vai honrar o compromisso de não limitar as suas despesas ao pagamento exigido por lei de US$ 75 milhões (cerca de R$ 133 milhões).

"O povo tem o direito de ter uma compreensão clara do compromisso da BP com o combate a toda a destruição que ocorreu ou vai ocorrer", diz o texto assinado pelo secretário do Interior, Ken Salazar, e pela secretária de Segurança Doméstica, Janet Napolitano.

"Por isso, no caso de o nosso entender ser impreciso, requeremos esclarecimento imediato sobre as reais intenções da BP."

No sábado, a empresa afirmou que as substâncias dispersantes espalhadas na sexta-feira no local do vazamento, provocado pela explosão de uma plataforma que matou 11 pessoas no dia 20 de abril, começaram a fazer efeito.

'Espetáculo ridículo'

Mesmo assim, o óleo já chegou a três Estados americanos: Mississipi, Lousiana e Alabama.

Na sexta-feira, o presidente Obama deu a entender que a BP e outras companhias estariam tentando se esquivar de suas responsabilidades. Ele condenou a troca de acusações entre executivos que testemunharam no Congresso e classificou o episódio de "espetáculo ridículo".

Obama já suspendeu temporariamente todas as explorações de novos poços, e muitos políticos gostariam de que a decisão fosse confirmada em caráter permanente.

Na sexta-feira, a BP começou a usar submarinos-robôs para tentar introduzir um cano de 15 cm dentro da tubulação danificada no fundo do oceano.

A intenção é fazer o cano atuar como um longo canudo, que "chuparia" o petróleo até um navio na superfície. No entanto, as primeiras tentativas fracassaram.

Por outro lado, a BP afirmou que os dispersantes químicos espalhados no local do acidente na sexta-feira reduziram a quantidade de petróleo a chegar na superfície do mar.

'Pior das hipóteses'

O presidente da BP, Tony Hayward, afirmou à BBC esperar que o vazamento possa ser contido dentro dos próximos dez dias.

No entanto, ele admitiu que, na pior das hipóteses, isso levaria "muito mais tempo e é impossível dizer quanto tempo mais".

Há uma semana, a BP experimentou utilizar um cone metálico de cem toneladas para conter o vazamento, mas a tentativa fracassou depois que a peça ficou coberta por cristais de gelo.

Alguns cientistas questionam as estimativas oficiais da companhia petrolífera sobre o volume de óleo sendo diariamente despejado no mar, de 5 mil barris de óleo. Para muitos, ele isso estaria bem abaixo da realidade.

O vazamento já ameaça deixar para trás o derramamento de óleo do navio Exxon Valdez, em 1989, na costa do Alasca, que até o momento é considerado o pior desastre ambiental americano

No ano passado, a BP foi multada em US$ 87 milhões por não ter melhorado as condições de segurança depois de uma enorme explosão que provocou a morte de 15 pessoas em uma refinaria na cidade do Texas.

O Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos tinha realizado inspeções de rotina na plataforma Deepwater Horizon em fevereiro, março e abril deste ano, sem encontrar nenhuma violação às normas de segurança.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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