Nilo Palaya / Secretaria de Comunicação e Pesquisa Estratégica (DFA) / AP
Nilo Palaya / Secretaria de Comunicação e Pesquisa Estratégica (DFA) / AP

Governo das Filipinas devolve toneladas de lixo para Canadá

Vários países do sudeste da Ásia manifestam vontade de não querer ser o ‘lixão’ do Ocidente

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 10h13

MANILA - O governo das Filipinas mandou de volta para o Canadá nesta sexta-feira, 31, toneladas de lixo recebidas ao longo dos anos, em um momento no qual vários países do sudeste da Ásia manifestam sua vontade de não querer ser o "lixão" do Ocidente.

Depois de uma longa campanha para conseguir que o Canadá aceitasse o lixo de volta, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, decidiu na semana passada ordenar a devolução imediata da carga. No total, 69 contêineres viajam a bordo de um cargueiro que partiu da Baía de Subic, ao noroeste de Manila, rumo ao Canadá.

"Baaaaaaaaa bye, como dizemos aqui", disse o ministro filipino das Relações Exteriores, Teodoro Locsin, no Twitter, com uma foto do cargueiro navegando.

"Nos comprometemos com os filipinos e trabalhamos em estreita colaboração com eles", afirmou a ministra canadense do Meio Ambiente, Catherine McKenna, na quinta-feira.

Há alguns dias, a Malásia anunciou que devolveria 450 toneladas de dejetos plásticos para vários países, incluindo Austrália, Bangladesh, Canadá, China, Japão, Arábia Saudita e Estados Unidos.

"A Malásia não será o lixão do mundo", disse a ministra malaia de Energia, Meio Ambiente e Ciência, Yeo Bee Yin. "Não nos deixaremos intimidar pelos países desenvolvidos."

Redução das tensões

Durante muito tempo, a China aceitou os rejeitos plásticos de todo o mundo. Em 2018, porém, interrompeu essa operação repentinamente, alegando preocupações ambientais. Vários países do Sudeste Asiático que ocuparam o espaço deixado por Pequim agora estão seguindo esse caminho.

"Vimos localidades virgens transformadas em lixões por causa de um tsunami de cargas de lixo de EUA, Reino Unido e Austrália após o veto da China", ressaltou Von Hernandez, coordenador da coalizão mundial de ONGs Break Free From Plastic.

A disputa nas Filipinas se concentrava em dezenas de contêineres enviados por uma empresa canadense em 2013 e 2014 e estavam etiquetados de forma inadequada, como se contivessem lixo reciclável.

Essa questão se arrasta há anos, mas explodiu em abril, quando Duterte declarou durante um discurso: "Vamos lutar contra o Canadá. Vou declarar guerra".

O Canadá se comprometeu a receber de volta os dejetos, mas não respeitou o prazo fixado por Manila para 15 de maio. O governo das Filipinas convocou para consultas seu embaixador em Ottawa e seus cônsules gerais.

O Ministério do Meio Ambiente do Canadá informou recentemente que o país "modificou sua regulamentação para evitar qualquer futura exportação desse tipo de material sem permissão".

Todo o ano, são produzidas cerca de 300 milhões de toneladas de plástico, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês). A maior parte acaba em lixões ou nos oceanos. Calcula-se que, de todo o plástico produzido entre 1950 e 2015, apenas 9% foi reciclados. / AFP

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