Governo apreenderá terras desmatadas e gado ilegal, diz Minc

Ministro do Meio Ambiente disse que as principais causas do desmatamento são cultura soja e criação gado

João Domingos, Agência Estado

02 Junho 2008 | 19h21

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta segunda-feira, 2, em entrevista coletiva, que as principais causas do aumento do desmatamento no País são a cultura da soja e a criação de gado. Minc anunciou que a partir deste mês o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), juntamente com a Polícia Federal, vão apreender gado criado em terras que desmataram ilegalmente. "Vamos pegar os bois piratas", anunciou. Na última semana de maio teve início a apreensão de grãos plantados em áreas desmatadas ilegalmente.   Veja também:Desmatamento na Amazônia aumenta 8 vezes em um mêsDesmatamento da Mata Atlântica caiu 69% até 2005Inpe suspende divulgação de dados sobre desmatamento Desmatamento na Amazônia aumenta 8 vezes entre março e abril Especial: Amazônia - Grandes reportagens  Minc comentou que, desde a última semana de maio a governo federal está fazendo uma fiscalização rigorosa do desmatamento e, neste mês de junho, as medidas serão mais rigorosas, com apreensão de terras em que tenha havido derrubada ilegal de vegetação e do gado criado em áreas ilegais. O ministro culpou também o aumento dos preços da soja e da carne pelo avanço do desmatamento na Amazônia. "Os preços dispararam. Historicamente está comprovado que o gado é responsável por 70%, 80% do desmatamento. E depois dele sempre vem a soja". Ele informou que o Ministério do Meio Ambiente vai exigir a partir de agora das siderúrgicas, frigoríficos, madeireiras e agronegócios a origem da matéria-prima utilizada por todos. "Queremos saber se o carvão, o boi, as madeiras e os produtos não tiveram origem em área desmatada ilegalmente", disse. De acordo com o ministro, a Lei 10.650/2003 permite o acesso aos dados. O ministro disse que os animais e os grãos apreendidos serão entregues à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Vão ajudar ao programa Fome Zero". Quanto à possibilidade de tal ação pressionar os preços e aumentar a inflação, o ministro disse que não se preocupa com isso. "O Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo (200 milhões de cabeças). Não serão 1 mil bois aqui, 3 mil bois ali que vão alterar alguma coisa. Mas o produtor vai sentir a perda e não vai querer criar gado em área desmatada ilegalmente", disse.  Minc defendeu ainda o fim da pecuária extensiva na Amazônia. Para ele, é um método arcaico de produção, que precisa ser modificado. "O modelo econômico aplicado hoje na Amazônia serve apenas para tornar o homem mais pobre e para destruir o bioma da região", acrescentou. O ministro informou ainda que seu colega da Justiça, Tarso Genro, lhe prometeu 500 homens da Força Nacional de Segurança para proteger as ações do seu ministério. A intenção dele é, no futuro, criar uma Força Nacional Ambiental, semelhante à de Segurança. Dados Carlos Minc, confirmou nesta segunda-feira, 2, em entrevista coletiva, que houve aumento no desmatamento no País. Ele citou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desmatados 4.964 quilômetros quadrados de agosto de 2006 a julho de 2007 - um período de 12 meses -, enquanto que, de agosto de 2007 a abril de 2008 (nove meses), o desmatamento foi de 5.850 quilômetros quadrados.  Minc é pessimista quanto à possibilidade de redução na área de desmatamento, em relação ao ano passado. "O pior está por vir. Os meses de junho, julho e agosto são brabos. Temos de rezar, orar, porque queremos que o desmate caia. Mas dificilmente teremos número inferior aos 11 mil quilômetros quadrados do ano passado, quando chegamos à menor média nos últimos 15 anos", disse ele. "Os números não são favoráveis. De agosto de 2006 a julho de 2007 - 12 meses -, foram desmatados 4.974 quilômetros quadrados; e de agosto de 2007 a abril de 2008 - nove meses - já foram constatados 5.850 quilômetros quadrados", disse o ministro.  Há duas semanas, ainda antes da posse, Minc, ao anunciar que os dados que seriam divulgados pelo Inpe mostrariam que Mato Grosso, mais uma vez, era o Estado campeão do desmatamento. Há pouco, na entrevista, o ministro reconheceu que houve queda na derrubada de árvores em Mato Grosso: em 2003, houve no Estado um desmatamento de 11 mil quilômetros quadrados, e em 2007 essa área caiu para 2.700 quilômetros quadrados.  Por fim, Minc procurou minimizar seus desentendimentos públicos com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Depois de criticá-lo, de dizer que Mato Grosso foi o Estado que mais desmatou e que, se pudesse, Maggi plantaria soja até nos Andes, Minc mudou o tom. Disse que ligou nesta segunda-feira, 2, para o governador, propôs parcerias para combater o desmatamento e marcou um encontro com ele, nesta semana. "A Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso é a mais bem equipada da Amazônia". Minc disse ainda que de 2003 a 2007 Mato Grosso reduziu a área de desmate de 11 mil quilômetros quadrados para 2,7 mil. Nos bastidores, há a informação de que o presidente Lula pediu ao ministro e ao governo que parem de brigar. Minc informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará decretos criando duas reservas ambientais incluídas em um projeto chamado "Paredão Verde". As reservas funcionarão como uma espécie de muralha contra o desmatamento, porque, segundo o ministro, o território delas terá início imediatamente após áreas que tenham sido desmatadas, para impedir que o processo tenha continuidade. O ministro do Meio Ambiente disse que seu colega da Justiça, ministro Tarso Genro, lhe prometeu que fornecerá 500 agentes especializados em combate a crimes ambientais.  Matéria alterada às 20h30 para acréscimo de informações

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