Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Governador do AM atribui alta de queimadas a pecuária e madeireiros

Wilson Lima (PSC) descartou ligação de ONGs aos danos ambientais na região e disse que a responsabilidade pela situação é dele, 'do presidente da República e da sociedade civil organizada'

Giovana Girardi e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 14h43

SÃO PAULO - Em entrevista à TV Estadão, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), atribuiu o aumento das queimadas à pecuária e à atividade madeireira e reiterou a importância dos recursos estrangeiros do Fundo Amazônia. Ele também disse não ter sido identificada ligação de ONGs com desmatamento e queimadas ilegais no Estado, como foi insinuado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas evitou fazer críticas diretas a ele.

Lima disse que o Amazonas “tem feito a sua parte” para conter os problemas, com a manutenção de uma equipe permanente de controle. “Assim que começamos a identificar os primeiros focos de calor, determinei o estado de emergência.”

O governador comentou que o monitoramento feito por tecnologias do Estado também costuma ter os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) como referência e que não foi encontrada “discrepância”. 

Segundo ele, as principais causas identificadas para a alta das queimadas são a pecuária e a atividade madeireira, além da especulação imobiliária. Diferentemente do que foi alegado pelo presidente nesta semana, afirmou que não foi identificada qualquer ação ilegal cometida por alguma ONG.

Disse também que o monitoramento conseguiu identificar alguns responsáveis por queimadas, mas que há dificuldade pela falta de regularização fundiária da região e pelo número insuficiente de fiscais. “Nós temos feito tudo que é possível dentro da possibilidade que nós temos."

Lima afirmou que há um "discurso de permissividade”, com o entendimento de que “tudo pode”, mesmo quando os responsáveis são notificados. “As pessoas que cometem crime têm que ser punidas com rigor da lei.”

Ele criticou, contudo, o que chamou de “pirotecnia” com que líderes mundiais têm se manifestado sobre o assunto, como o presidente francês Emmanuel Macron, e aponta que isso pode ter impactos econômicos “significativos”. “Causa uma imagem muito ruim”, alegou. “Há a necessidade de preocupação do governo do Estado, do governo federal, mas é uma questão interna do Brasil.”

Em relação ao Fundo Amazônia, disse aguardar um posicionamento federal, mas que concorda com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que é necessária uma aproximação do fundo com as “prioridades da Amazônia”. “Precisa haver um encontro dos recursos com as políticas públicas”, aponta. “Não adianta eu fazer uma situação pontual para beneficiar a comunidade A, a comunidade B.”

O governador afirmou, ainda, que os Estados da região amazônica estão discutindo alternativas para os recursos estrangeiros, de países como Alemanha e Noruega, sejam repassados diretamente aos Estados ou através de um novo fundo ou um consórcio. “A gente ainda está buscando um modelo de como se faz isso.”

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