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Felipe Rau/Estadão
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Geotermia pode reduzir consumo de luz de 40% a 70%, avalia especialista

Plano Nacional de Energia, de 2050 conta com a energia geotérmica como uma das formas de abastecimento no País

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 15h00

Para o professor Alberto Hernandez Neto, da Escola Politécnica da USP, que cuida da parte da superfície do projeto de prédio-laboratório da universidade, a geotermia pode levar a uma redução entre 40% e 70% no consumo de energia elétrica nos sistemas de ar-condicionado.

 “A minha parte nesse projeto é a da superfície, do conforto no ambiente, do ar-condicionado”, explica Hernandez Neto. Ele argumenta que a economia gerada pela geotermia depende do projeto, do equipamento e do tamanho do prédio.

Integrante da iniciativa dos CICs, da USP, Hernandez ensina que o calor retirado do ambiente pela geotermia a partir das fundações não vai para o ar, como costuma ocorrer com os sistemas de ar-condicionado convencionais. “Esse calor vai para o solo”, diz. E o estudo das estacas enterradas, desenvolvido por Cristina Tsuha, é exatamente para avaliar esse impacto.

Hernandez explica ainda que a chamada bomba de calor do sistema é o conjunto de equipamentos de ar-condicionado que permite a troca da temperatura. “A gente chama isso de bomba de calor porque ela é reversível, pode funcionar tanto para aquecer quanto para resfriar”, ensina Hernandez.

O especialista argumenta que no Brasil não há muito uso de sistema geotérmico, mas ele pode ser encontrado no aquecimento de piscinas. “Isso é comum nos clubes de São Paulo”, por exemplo. “E a possibilidade de reversão do sistema é que é uma grande vantagem”, afirma. De acordo com o professor da USP, o foco principal das inovações que estão sendo desenvolvidas atualmente está no atendimento ao usuário. 

Hernandez trabalha também com projetos de redução de consumo de energia em prédios públicos de São Paulo, como as estruturas escolares do CEU, por exemplo, além de integrar os estudos para a criação de um prédio totalmente sustentável do ponto de vista do consumo energético num plano para fazer da capital paulista, em 2050, uma cidade com emissão zero de carbono.

Segundo Hernandez, a pandemia da covid-19 acabou empurrando a indústria do ar-condicionado para o desenvolvimento mais acelerado de sistemas para atender melhor à demanda dos usuários.

O professor da Politécnica cita ainda que nos EUA já há edifícios com o sistema de energia geotérmica em pleno funcionamento. Na Califórnia, a sede de grandes empresas são totalmente climatizadas pela geotermia.

Um deles, segundo o especialista, é a sede do Google, que usa centenas de estacas, o que lhe dá a possibilidade de atender todo o prédio. O professor salienta que no prédio em construção na USP, com menos estacas disponíveis para a instalação do sistema, talvez não seja possível a total climatização da estrutura. O edifício-laboratório em São Paulo está projetado para ter dois andares e deve ficar pronto em 2022.

Plano nacional prevê uso da geotermia

Com o consumo de energia elétrica em alta no Brasil nos últimos anos, o emprego da geotermia pode ajudar na economia de gastos com energia, justifica a cientista da USP Cristina Tsuha, lembrando dados do Plano Nacional de Energia, de 2050, do governo federal, que já conta com a energia geotérmica como uma das formas de abastecimento no País.

“A geotermia superficial é o aproveitamento de energia térmica do subsolo superficial, usando o ciclo de refrigeração. Essa tecnologia é utilizada em edificações e indústrias, havendo mais de 3 milhões de plantas funcionando em 54 países do mundo e 73 GW (gigawatt) instalados para produção de calor em 2019”, cita o documento do Ministério de Minas e Energia. 

De acordo com o documento, esse tipo de energia existente no subsolo pode ser usada para “climatizar e desumidificar ambientes; aquecer água em banheiros e piscinas; e aquecer e resfriar processos industriais”.

Segundo o Plano, “líderes da tecnologia são a China, os Estados Unidos e a Europa. Sua utilização reduz o consumo de energia final para produção de energia térmica, acima de 60% para aquecimento e entre 20% e 60% para resfriamento, o que pode acarretar diminuição do consumo de energia elétrica nos horários de pico”.

Ainda de acordo com o documento oficial, a geotermia pode reduzir também o stress hídrico “ao substituir torres de resfriamento, os efeitos da ilha de calor urbana, ao ser utilizada para climatização, aplicação em que também contribui para minimizar os impactos sonoros e visuais”.

 O documento segue: “A situação internacional indica que a tecnologia já dispõe de viabilidade para alguns mercados, fundamentada nos conceitos de eficiência energética, o que pode representar uma oportunidade para o Brasil”.

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