Gene único responde por mimetismo em fêmeas de 'borboleta mórmon'

Com a função de evitar predadores, elas ficam parecendo uma espécie tóxica, mas isso acaba enganando também os machos

Geoffrey Mohan, New York Times

06 Março 2014 | 15h33

Mimetismo nas fêmeas da espécie Papilio polytes. Crédito: Marcus Kronforst/Universidade de Chicago

Pobres machos da espécie de borboletas Papilio polytes, ou “mórmon comum”. As fêmeas possuem quatro diferentes padrões de cores, sendo somente um familiar a ele. As demais se parecem muito com outras espécies tóxicas.

Esse mimetismo, que tem a função de evitar predadores que já aprenderam a não se alimentar da verdadeira borboleta tóxica, é comum em 75% das fêmeas da espécie. O problema é que é uma estratégia de um só sexo. Os machos e as fêmeas que têm as mesmas cores que os machos ficam vulneráveis.

O mimetismo em geral é algo que chama a atenção de biólogos desde o surgimento da Teoria da Evolução, porque fornece um teste de campo para os processos de seleção natural. Mas esse mimetismo restrito a fêmeas permanecia um mistério para a genética moderna.

Cientistas chegaram a suspeitar que um “supergene”, na verdade um cluster de genes intimamente ligados, fosse responsável pelo padrão de coloração das asas. O que de fato foi encontrado em algumas espécies. Um novo trabalho publicado na edição desta semana na revista Nature mostrou, porém, que para essa espécie específica, o mimetismo é ação de um único gene.

Pesquisadores das universidades de Chicago e de Wisconsin-Madison descobriram essa função no que eles chamaram de “doublesex”. O gene já era conhecido por sinalizar às células do organismo, no processo de divisão celular, se o inseto é um macho ou uma fêmea.

A dupla observou que nas fêmeas capazes de fazer o mimetismo, o gene doublesex tem cerca de mil mutações que acabam regulando outros genes para produzir o padrão de cores. Desse modo, ele acaba funcionado com um supergene.

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