Gelo do Ártico está maior que em 2007, mas deve diminuir

O gelo do Ártico não deve repetir nesteano o encolhimento recorde de 2007, mas novas pesquisas sugeremque está ocorrendo uma perda lenta e gradual, segundoespecialistas. Os dados de 2007 sugeriam que o Pólo Norte poderia pelaprimeira vez ficar sem gelo neste verão, o que seria letal paracriaturas como ursos polares, mas por outro lado seria útilpara empresas de navegação e exploração de gás e petróleo. "Provavelmente não haverá um novo recorde mínimo de gelo noÁrtico em setembro próximo", disse Ola M. Johannessen, doCentro Ambiental Nansen de Sensoreamento Remoto, no oeste daNoruega. Atualmente, o gelo do Ártico ocupa cerca de 6 milhões dequilômetros quadrados -- equivalente à Austrália -- ou seja,está cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados maior do que nofinal de julho de 2007, mas bem abaixo da média das últimasdécadas. Mark Serreze, do Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelodos EUA, disse que no ano passado houve uma conjunção defatores que favoreceram o degelo, mas não se repetiram nesteano. Em maio, o instituto considerava "bastante possível" que oÁrtico ficasse sem gelo neste verão. O encolhimento dramático de 2007, superando o recorde de2005, estimulou mais debates sobre o aquecimento global, nummomento em que os governos se preparam para negociar um novotratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto, queexpira em 2012. Johannessen entregou à Reuters um estudo até agora inéditomostrando que nas últimas décadas há uma coincidência de 90 porcento entre o aumento das emissões dos gases do efeito estufa(especialmente pela queima de combustíveis fósseis) e o recuodo gelo polar. "Empiricamente, 90 por cento do decréscimo da extensão dogelo marinho é 'responsabilidade' do aumento do dióxido decarbono na atmosfera", escreveu ele no estudo, a ser publicadona edição de agosto da Academia Chinesa de Ciências. Se essa correlação se mantiver, até 2050 a extensão médiado gelo será vários milhões de quilômetros menor do queprevisto pelo Painel Climático da ONU, que reúne 2.500cientistas do mundo todo, segundo o novo estudo. Serreze disse manter a previsão de que o oceano Árticoficará sem gelo no verão até 2030, ou seja, décadas antes doque prevê o Painel Climático. O Ártico se aquece ao dobro do ritmo médio do planeta nasúltimas décadas. Como o gelo e a neve refletem o calor,qualquer degelo revela faixas escuras de terra e mar, o queatrai o calor do sol e acelera ainda mais o descongelamento.

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