Geleira se desprende no Peru e causa tsunami nos Andes

Bloco de gelo do tamanho de 4 campos de futebol caiu a 320 km de Lima, nos Andes

Com informações de Reuters e The Guardian

13 Abril 2010 | 16h51

Uma grande geleira se desprendeu e mergulhou num lago no Peru, causando um tsunami com ondas de 23 metros que arrastaram três pessoas - com pelo menos uma morte já confirmada - e destruiu um reservatório de água que abastecia 60 mil pessoas, afirmaram fontes do governo peruano na segunda-feira.

 

O bloco de gelo caiu em um lago nos Andes no domingo, próximo ao município de Carhuaz, a cerca de 320 quilômetros da capital, Lima. A água e o lodo atingiram Carhuaz e outras cidades vizinhas.

 

Duas pessoas sofreram ferimentos quando viram a chegada da água, entraram em pânico dentro do carro e bateram. Uma pessoa morreu soterrada. O número de feridos poderia ser maior se o nível do lago estivesse mais alto naquele dia, quando o bloco de gelo despencou.

 

"A queda no lago gerou uma onda de tsunami que superou a borda do lago, que tem 23 metros de profundidade - o que significa que a onda tinha 23 metros de altura", explicou Patricio Vaderrama, um especialista de geleiras do Instituto de Engenheiros de Mina do Peru.

 

 

Os investigadores dizem que o pedaço de gelo desprendeu da geleira de Hualcan e media 500 metros por 200 metros, o tamanho de quatro campos de futebol.

 

As autoridades evacuaram os vales da montanha, temendo novos desprendimentos. Foi um dos sinais mais concretos de que as geleiras estão desaparecendo no Peru, onde estão localizadas 70% das geleiras nos trópicos. Um relatório do Banco Mundial mostra que as geleiras já encolheram em 22% desde 1975.

 

Cientistas dizem que temperaturas cada vez mais altas vão causar o derretimento do gelo pelo menos dentro de 20 anos. O governador da região de Ancash, que inclui áreas afetadas pelo tsunami, César Álvarez, culpou o aquecimento global. "Por causa do aquecimento global, as geleiras se desprendem e caem nos lagos. Foi isso que aconteceu", disse.

 

Um fenômeno parecido acontece na Bolívia, onde a geleira de Chacaltaya, a 5 mil metros acima do nível do mar, nos Andes, costumava ser a pista de ski mais alta do mundo. As previsões de que ela sobreviva até 2015 parecem otimistas: de acordo com dados atuais, alguns pedaços de gelo perto do pico foi o que sobrou. O relatório do Banco Mundial alerta que o derretimento do gelo dos Andes pode ameaçar usinas hidroelétricas e reservatórios de abastecimento de água que servem a cerca de 80 milhões de pessoas.

 

Em 1970, próximo a Carhuaz, um terremoto desencadeou uma avalanche de gelo, rochas e lama da montanha de Huascaran, que enterrou a cidade de Yungay, matando mais de 20 mil pessoas que viviam abaixo do pico mais alto do Peru, a 6.768 metros acima do nível do mar.

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