Futuro de ilhas-estado depende das negociações sobre o clima

A natureza não negocia. Portanto, enquanto os representantes para a clima entram em disputa sobre prazos, metas vinculantes e finanças, alguns dos países mais pobres do mundo estão alertando que o aumento no nível do mar e as tempestades irão varrer essas nações para fora do mapa, a não ser que o mundo concorde em combater o aquecimento global.

AGNIESZKA FLAK, REUTERS

09 Dezembro 2011 | 11h04

"Seremos um dos primeiros países a ficar debaixo d'água", disse Foua Toloa, um político de Toquelau, uma ilha localizada entre o Havaí e a Nova Zelândia, que fica a apenas cinco metros acima do nível do mar.

"Somos uma nação pequena e frágil, muito suscetível aos desdobramentos ambientais e climáticos."

O ministro de Relações Exteriores de Granada, Karl Hood, foi ainda mais direto. Ele preside a Aliança de Pequenas Ilhas-Estado (AOSIS, na sigla em inglês), composta de 43 países e cujos membros estão na linha de frente das mudanças climáticas.

"Se não agirmos agora, alguns de nós irão morrer."

Muitas ilhas de baixas altitudes já podem calcular o custo da crescente emissão dos gases de efeito estufa em termos de vidas perdidas, economias abaladas e paisagens transformadas.

"Até 2025, o aumento no nível do mar pode provocar o deslocamento de ao menos 10 por cento da população", disse o presidente de Comores, Fouad Mohadji, aos representantes nas negociações sobre as mudanças climáticas, realizadas na cidade portuária de Durban, na África do Sul.

As águas do mar poderiam destruir 29 por cento da rede rodoviária, 30 por cento da infraestrutura hoteleira, da qual depende o turismo da ilha, 70 por cento dos portos e aeroportos, gerando um custo de 1 bilhão de dólares.

"Isso é o dobro do PIB do país", afirmou.

Representantes de quase 200 países têm até o final desta sexta-feira para decidir se irão se comprometer com a assinatura de um acordo climático internacional até 2015, o que seria a data limite.

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