Furacões e enchentes realizam previsões climáticas, diz ONU

O furacão Gustav atingiu na segunda-feira a costa sul dos EUA, um pouco a leste de Nova Orleans

ALISTER DOYLE, REUTERS

01 Setembro 2008 | 22h50

Os furacões no Atlântico e as inundaçõesna Índia devem servir de alerta para o mundo sobre os riscosassociados às mudanças climáticas, disse na segunda-feira odiretor do Programa Ambiental da ONU, Achim Steiner. Segundo ele, os atuais transtornos são compatíveis com asprevisões feitas pelo Painel Climático da ONU, e ressaltam anecessidade de que até o final de 2009 os governos concluam umnovo tratado global contra o aquecimento. "Esses desastres naturais de fato refletem um padrão demudança que está de acordo com as projeções", disse ele àReuters por telefone de Genebra. Citando os furacões no Atlântico e as inundações da Índia,ele disse que "claramente temos mais razões do que nunca paraestarmos preocupados com o desenrolar de padrões que o IPCC[comissão científica da ONU] previu". Ele admitiu, porém, ser impossível vincular diretamentefatos como o furacão Gustav às mudanças climáticas provocadaspor atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis. O furacão Gustav atingiu na segunda-feira a costa sul dosEUA, um pouco a leste de Nova Orleans, cidade que já havia sidodevastada há três anos pelo furacão Katrina. Em Bihar (leste da Índia), o transbordamento do rio Kosi,depois do rompimento de uma represa no Nepal, deixou pelo menos3 milhões de desabrigados e 90 mortos. Steiner lembrou que, além do sofrimento humano, há também"uma escalada econômica quanto aos danos por desastresnaturais". A seguradora Munich Re estima que desastres naturais(muitos deles climáticos) provocaram prejuízos de 50 bilhões dedólares no primeiro semestre. "O crescimento das populações e da infra-estruturasignifica que vamos enfrentar cada vez mais fatos dessanatureza [e que eles vão] se tornar um grande risco para nossaseconomias", disse Steiner. "Nossas sociedades não podemsuportar isso, nosso setor de seguros não pode suportar umaescalada nos riscos."

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