Furacão Sandy se aproxima dos EUA após causar estragos em Cuba

O furacão Sandy se tornou nesta quinta-feira uma grande ameaça para a Costa Leste dos Estados Unidos, depois de causar estragos na segunda maior cidade de Cuba e se dirigir para as Bahamas, segundo meteorologistas norte-americanos.

JEFF FRANKS, Reuters

25 Outubro 2012 | 17h28

O sistema ganhou força rapidamente depois de atravessar a Jamaica, passando sobre as águas quentes do Caribe e em seguida atingindo o sudeste de Cuba com ventos de 169 quilômetros por hora, que provocaram um apagão e derrubaram árvores na importante cidade de Santiago de Cuba nesta quinta-feira.

Relatos vindos da cidade, que tem 500 mil habitantes e fica 750 quilômetros a sudeste de Havana, dão conta de danos significativos, com muitas casas danificadas ou destruídas. Uma rádio cubana disse que pelo menos uma pessoa morreu. Jamaica e Haiti também haviam registrado uma morte cada.

Meteorologistas do governo norte-americano alertaram que grande parte da Costa Leste dos Estados Unidos deve ser varrida pelo Sandy, com inundações, temporais e ventos fortes a partir da quinta-feira à noite. No começo da semana que vem, ele deve atingir a mesma área da Nova Inglaterra que sofreu graves estragos por causa do furacão Irene no ano passado.

A previsão é de transtornos numa área da costa que vai das Carolinas até o Maine, com Nova York e Boston também ameaçadas. "É provável que impactos significativos sejam sentidos em partes da Costa Leste durante o fim de semana e até o começo da semana que vem", disse o Centro Nacional de Furacões.

GRANDE IMPACTO

"Vai ser um fato de alto impacto", disse o meteorologista do Centro de Previsões Hidrometeorológicas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, Bob Oravec, em College Park, Maryland.

"Tem potencial para ser uma tempestade muito significativa em termos de inundação costeira, dependendo de exatamente onde ela chegue. Apagões são definitivamente uma grande ameaça", afirmou.

O especialista em furacões e blogueiro do instituto meteorológico Weather Underground, Jeff Masters, disse que a chegada da tempestade na segunda-feira, bem no meio da costa atlântica dos Estados Unidos, iria desencadear "um desastre de 1 bilhão de dólares".

"Nesse cenário, Sandy poderia trazer ventos regulares com a força próxima à de um furacão para um amplo trecho de uma costa fortemente habitada", afirmou.

Outra hipótese prevista nos modelos climáticos por computador, segundo Masters, é que o Sandy cause "as mais intensas chuvas de outubro já registradas no nordeste do país, em Nova Scotia e New Brunswick".

Ao contrário do Irene, que causou bilhões de dólares em prejuízos no nordeste em agosto do ano passado, o Sandy deve chegar à costa norte-americana já com força inferior à de um furacão. Mas ele deve se deslocar mais lentamente do que o Irene, o que aumenta o potencial para causar danos, segundo meteorologistas.

Em Cuba, as comunicações ficaram prejudicadas depois da passagem do olho do perigoso furacão da categoria 2, logo a oeste de Santiago, causando ondas de até 9 metros, provocando apagões e inundações num amplo trecho de litoral, segundo o serviço meteorológico cubano.

A tempestade também causou inundações generalizadas no sudoeste do Haiti, com relatos de perigosos deslizamentos em algumas áreas.

Às 16h (hora de Brasília), o centro do furacão já estava 40 quilômetros a leste da ilha Great Exuma, nas Bahamas, com ventos máximos sustentados de até 169 quilômetros por hora.

Sandy ainda estava na categoria 2 na escala Saffir-Simpson, mas deve perder força nas próximas 48 horas ao cruzar o arquipélago das Bahamas.

A partir desta noite e por toda a sexta-feira, há previsão de ventos fortes, chuvas e mar agitado em parte da costa atlântica da Flórida.

(Reportagem de Jeff Franks e Nelson Acosta, em Havana; de Horace Helps, na Jamaica; e de Jane Sutton, em Guantánamo)

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