Furacão Alex é novo golpe em operação da BP contra vazamento

BP deve adiar planos para coleta de óleo e ameaça jogar mais água contaminada na costa sul dos EUA

Reuters

30 Junho 2010 | 13h12

HOUSTON - O primeiro furacão desta temporada no Atlântico Norte está afetando a operação de combate ao vazamento de petróleo no Golfo do México, levando a empresa BP a adiar seus planos para aumentar a quantidade de óleo recolhido e ameaçando jogar mais água contaminada na costa sul dos EUA.

 

O vazamento chegou ao seu 72º dia, e o impacto econômico e ambiental ainda não está totalmente claro, o que torna duvidoso também o futuro da própria BP.

 

A população litorânea se prepara para as chuvas e inundações trazidas pelo Alex, que na última terça-feira passou de tempestade tropical a furacão. O sistema deve chegar na noite desta quarta, 30, à região da fronteira México-Texas.

 

A previsão de vento forte, chuvas torrenciais e ondas de até 4 metros levou a BP a paralisar a queima controlada do petróleo recolhido, os voos que lançam dispersantes químicos e a instalação de barreiras no mar.

 

O Departamento de Estado dos EUA disse que vai aceitar ofertas de ajuda de dezenas de países e agências internacionais para participar da tarefa de contenção e limpeza do vazamento.

 

Embora o furacão não tenha como atingir diretamente as plataformas petrolíferas no Golfo do México, ele levou várias empresas do setor a paralisar suas atividades por precaução. Cerca de um quarto da produção de petróleo e 9,4% da produção de gás natural no Golfo do México foram paralisados, segundo autoridades dos EUA.

 

Mas, a 80 quilômetros da costa da Louisiana, a BP continua recolhendo o óleo que jorra e guardando-o em barcos, além de escavar dois poços auxiliares que, quando estiverem prontos, em agosto, devem permitir que o vazamento seja sanado.

 

O governo dos EUA estima que 4,2 a 7,2 milhões de litros de petróleo estejam vazando por dia. A BP tem capacidade para recolher 3,3 milhões de litros por dia, e espera elevar em breve essa capacidade para 6,3 milhões.

 

Desde o início do vazamento, a BP já perdeu cerca de 100 bilhões de dólares na sua capitalização, uma queda de mais de metade no valor de mercado da empresa. Mas eventualmente o mercado parece avaliar que as ações atingiram um nível tão baixo que chegam a ser atraentes como opção de investimento.

 

Nesta quarta, os papéis da BP registravam alta de 6,7% em Londres, negociados a 3,232 libras. Operadores dizem que a alta reflete uma suposta negociação para que a ExxonMobil adquira a BP.

 

Além da ExxonMobil, há rumores também de que a Royal Dutch Shell poderia comprar a BP.

 

Várias partes do sul da Louisiana e do Mississippi estão em estado de alerta contra inundações até a noite desta quarta. Nas áreas litorâneas, a maré está excepcionalmente alta.

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