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Fumaça do Pantanal e da Amazônia poderá chegar ao continente africano

Fenômeno, que não é considerado raro, deve contar com influência de um forte ciclone extratropical sobre o mar. Centro-Oeste deve ter chuva somente em outubro

Renata Okumura e Larissa Gaspar, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 22h05

A fumaça provocada pelas queimadas no Pantanal e na Amazônia, no Brasil, já chega ao meio do Oceano Atlântico Sul e pode se aproximar do continente africano dentro de alguns dias. Imagens da Nasa mostram uma área em que a fumaça alcança o Atlântico Sul, entre a América do Sul e a África. 

"Nesta manhã, a 1.000 quilômetros de ambas as costas, no Atlântico Sul, uma névoa densa e clara era vista nas imagens de satélite. Geralmente fumaça, neste caso, deve ser da América do Sul", disse o pesquisador Santiago Gassó pelo Twitter.

As queimadas sem controle do Pantanal e da Amazônia provocam danos à biodiversidade e, sua fumaça, além de danos à saúde de moradores locais, também atinge outros Estados do Brasil e também continentes. Dependendo da direção do vento, a fumaça pode ser transportada para diversas regiões. Os registros também estão em alta no Estado de São Paulo. 

Segundo Estael Sias, meteorologista da MetSul Meteorologia, o forte ciclone extratropical profundo (ciclone bomba), que se formou sobre o mar na altura da costa do Sul do Brasil nos últimos dias e provocou ventania nas regiões Sul e Sudeste do País, afastou-se para o alto-mar e ainda gera fortes correntes de vento de oeste para leste.

O vento contribui para transportar a fumaça da América do Sul pelo oceano até chegar, em poucos dias, ao continente africano. Mas é preciso analisar a velocidade que o sistema está se movendo em direção à África. Correntes de vento conseguem transportar material particulado a grandes distâncias pela atuação das correntes de jato. Isso fez com que a fumaça dos incêndios na costa oeste norte-americana cobrisse grande parte dos Estados Unidos e chegasse até o norte da Europa", disse.

"O ciclone gera ventos rotacionais em torno do sistema e está se movimentando em direção à África do Sul", acrescentou a meteorologista da MetSul. 

Para a meteorologista do Climatempo Josélia Pegorim, as correntes de ventos de oeste para leste são capazes de transportar a fumaça do Pantanal pelo Atlântico até a África, mas ela pondera que o fenômeno é natural. “É esperado e já há imagens desse ‘ar sujo’ no meio do Atlântico”, complementa. 

Queda de temperatura é esperada na próxima semana

A condição meteorológica provocará queda na temperatura na próxima semana, mas possibilidade de chuva somente está prevista para outubro na região Centro-Oeste.  “Com o aumento da fumaça, há chances de ver o céu mais alaranjado, que é o efeito da luz solar com os elementos da fumaça na atmosfera.  Também não se pode descartar a chance de ‘chuva preta’, por causa da quantidade de fumaça na atmosfera”, comenta Josélia Pegorim. 

Na segunda-feira, 28, está prevista a chegada de uma frente fria a São Paulo. "Deve levar umidade para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, com chuva isolada, melhorar a umidade do ar na região e provocar queda de temperatura. Mas chuva para limpar a atmosfera das queimadas, acredito que somente na segunda metade de outubro", estima a meteorologista da MetSul.

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