Luiz Alves / Secom-CBA
Luiz Alves / Secom-CBA

Fumaça densa de incêndio encobre o céu de Cuiabá 

Uma das queimadas ocorre há dez dias na região do Pantanal; Prefeitura estuda decretar situação de emergência

Yuri Ramires, especial para, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 15h44

CUIABÁ - Uma densa fumaça ocasionada por incêndios florestais tomou o céu de Cuiabá e de cidades da região metropolitana na manhã desta quinta-feira, 13. A fumaça é fruto de queimadas que ocorrem há dez dias na região do Pantanal, mas há outros focos de fogo, como na estrada que liga Cuiabá ao Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. O prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro (MDB), estuda decretar situação de emergência.

Sem chuvas por quase 80 dias no município, o tempo seco e os ventos também contribuem para o aumento dos focos de incêndio. Na quarta-feira, 12, uma área de mata próxima ao Centro Político da cidade foi tomada pelo fogo por volta das 10h30. As chamas só foram controladas cerca de oito horas depois, de acordo com a Defesa Civil municipal.

Para debelar o incêndio, foi necessário o auxílio de um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), que utilizou água de uma 'praia artificial' de um condomínio de luxo da cidade. Cerca de 800 hectares foram destruídos pelo fogo.

Já nesta quinta, a fumaça voltou a assustar os moradores da cidade. Além das queimadas na região do Pantanal e do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, a Comunidade São Gonçalo Beira Rio, tradicional rota do turismo cuiabano, também tem foco de incêndio. Brigadistas passaram a parte da manhã no local.

Em Poconé, no Pantanal mato-grossense, distante 104 km ao Sul de Cuiabá, o fogo já tomou mais de 100 mil hectares e causou estrago em reservas particulares, áreas de hotéis e rotas turísticas.

Durante toda quarta-feira, 12, relatório do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso registrou 30 ocorrências de incêndios só na Região Metropolitana de Cuiabá.

“É um momento típico, já esperado, mas os casos estão tomando outras proporções, além do fogo no Cerrado, também estamos atendendo casos de incêndios urbanos”, afirmou o diretor da Defesa Civil de Cuiabá, José Pedro Zanetti. 

Aliado ao período de estiagem, com baixa umidade relativa do ar e sem previsão de chuva, que podem provocar problemas respiratórios, Mato Grosso lida com os casos de covid-19. São 69.085 casos da doença no Estado, sendo 14.767 somente em Cuiabá. “A fumaça atinge todos, especialmente quem tem asma, bronquite. Se qualquer pessoa tiver contato com essa fumaça, se ela for respirada, vai precisar de um atendimento e vai onde está sobrecarregado, que são as UPAs e Policlínicas. A prevenção agora é dupla”, diz Zanetti. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá ainda não há dados diretos sobre atendimentos voltados para pacientes com problemas respiratórios causados pelo período de queimadas. “A maioria dos atendimentos está sendo relacionado à covid-19”, informou a pasta.

 

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