Reprodução Nasa / MetSul Meteorologia
Reprodução Nasa / MetSul Meteorologia

Fumaça de incêndios da Austrália chega ao Rio Grande do Sul após cruzar Chile e Argentina

Maior concentração se observa na região oeste do estado e não deve chegar ao Sudeste do país; fumaça não traz risco para a saúde porque está em grande altitude e não afeta a qualidade do ar em superfície, segundo especialistas

Lucas Rivas, especial para o Estado

07 de janeiro de 2020 | 16h20

PORTO ALEGRE - Depois de passar pela Argentina e Chile, a fumaça dos incêndios na Austrália chegou ao Rio Grande do Sul no início desta tarde, conforme a MetSul Meteorologia. A nuvem de fumaça percorreu mais de 12 mil quilômetros até ser avistada na América do Sul. Em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, o céu da cidade ficou mais acinzentado, em função da fumaça suspensa na atmosfera. A maior concentração no estado pode ser observada na região oeste.

No Chile, o Serviço Meteorológico de Santiago havia informado que a nuvem tinha espessura de 6 mil metros e deixou o sol com tons de vermelho. De acordo com técnicos da Nasa, a quantidade de material particulado é tão grande na atmosfera que foi capaz de cruzar todo o Oceano Pacífico.

Em Porto Alegre, a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, explica que um sistema de baixa pressão impulsionou a fumaça do Centro da Argentina até o Rio Grande do Sul. Assim como em Santiago, o pôr do sol também será mais alaranjado nesta quarta e quinta-feira na capital gaúcha. Apesar da aguardada mudança visual na paisagem nos próximos dias, a especialista garante que a fumaça não oferece risco à saúde da população.

“O vento que está transportando esta fumaça é um fenômeno natural. É uma corrente de vento em torno de 10 mil metros de altitude. O que está acontecendo na Austrália é um desastre de grandes proporções, que forma nuvens semelhantes às formadas por erupções vulcânicas. É possível até que está fumaça dê a volta ao mundo. Como a Austrália inteira está em chamas, é muita fumaça que está chegando à atmosfera e este vento vai transportando esse material para a América do Sul. Hoje, já temos os primeiros indícios no Rio Grande do Sul”, disse.

Ainda de acordo com a MetSul Meteorologia, a fumaça pode chegar a Santa Catarina, mas não deve se espalhar por outras regiçoes do país. Por causa da chuva, não a fumaça não deve subir para o Sudeste. 

Ao sair para pescar em uma área afastada de Livramento, interior do estado, o comunicador Duda Pinto, de 62 anos, mostrou-se surpreso com a presença da fumaça. "O sol amanheceu ofuscado e achei estranho, pois não era uma nuvem como se vê diariamente. Depois fui saber que era das queimadas dos incêndios na Austrália", disse. "O pôr do sol, pelo que vejo, será um espetáculo com essa névoa”, afirmou.

Ainda segundo a meteorologista, as queimadas na Austrália atingiram uma altura grande fazendo com que a fumaça seja parecida com a de nuvens vulcânicas. Em abril de 2015, as cinzas do vulcão chileno Calbuco também atingiram o Rio Grande do Sul.

Na Austrália, os incêndios se espalham principalmente pela floresta tropical seca, mas neste verão estão muito mais intensos, extensos e duradouros por causa das mudanças climáticas. O país passa por uma seca prolongada desde 2017, que se intensificou em 2019, conforme a prévia de relatório da Organização Meteorológica Mundial do início de dezembro. Em média, o período de janeiro a outubro foi o mais seco desde 1902, e a situação se agravou nos meses seguintes.

Desde o início do ano, com a seca severa, ondas de calor acima de 50ºC e ventos fortes, as chamas se intensificaram, segundo análises da Nasa. Ao menos metade da população de coalas que não sofrem doenças fatais e são essenciais para “assegurar” o futuro da espécie morreram no país depois que os incêndios devastaram a Ilha Canguru, uma espécie de santuário para os animais.

 

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