Fernando Hernandez/AP
Fernando Hernandez/AP

Frota de águas-vivas invade as praias da Espanha e ataca banhistas

Apenas na terça-feira, 380 pessoas foram atacadas na região da Costa Blanca

Associated Press

11 de agosto de 2010 | 18h13

Uma frota de pequenas e virtualmente invisíveis águas-vivas atacou centenas de pessoas nas praias espanholas nesta semana, um pesadelo para os banhistas que, dizem biólogos,  vai se tornar cada vez mais comum com a mudança climática e a pesca predatória.

 

As bolhas transparentes atacaram três áreas perto da cidade de Elche, ao longo de um famoso trecho de praias brancas conhecido como Costa Blanca.

 

Apenas na terça-feira, 380 pessoas foram atacadas, em comparação com a média normal de quatro ou cinco banhistas ao dia, disse o representante da autoridade de turismo local, Juan Carlos Castellanos.

 

Não há sinais de águas-vivas nesta quarta-feira, mas desde domingo pelo menos 700 pessoas foram atacadas.

 

As praias não chegaram a ser interditadas, mas as autoridades colocaram avisos em placas e posicionaram barcos ao largo para observar o mar.

 

Castellanos culpou as fortes correntes marinhas pelo acúmulo de águas-vivas nas praias, e o mar calmo por permitir que ficassem nas imediações por três dias. Águas mais quentes - que as águas-vivas apreciam - também ajudaram a aumentar o número dos animais durante a temporada turística.

 

Mais para o norte, vive uma espécie muito mais perigosa, a caravela: um saco de cor violeta com tentáculos de um metro de comprimento. Elas atacaram mais de 300 pessoas nas últimas três semanas na costa de Cantabria e  na região basca, informam autoridades.

 

Biólogos marinhos espanhóis dizem que, no geral, têm observado menos águas-vivas neste verão do que em outros anos. na Catalunha, autoridades afirmam que a temporada está se mantendo praticamente livre desse tipo de animal. Mas cientistas advertem que os banhistas terão de se acostumar às concentrações cada vez maiores de águas-vivas.

 

Normalmente, os animais se mantém afastados do litoral, repelidos por uma barreira de água de baixa salinidade, formada pelo despejo das chuvas de verão.  

 

Mas com as Chivas menos intensas por causa do aquecimento global, esse colchão está ficando menor, disse José  María Gili, especialista do Instituto de Ciências Marinhas de  Barcelona.

 

Outro problema é a pesca predatória, que reduz os estoques de atum, peixe-espada e outras espécies que são predadores naturais da água-viva. Além disso, haver menos peixes em geral significa que sobra mais plâncton para as águas-vivas comerem.

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