Frio mata 89 na Europa; cresce preocupação com gás russo

O frio recorde em regiões do Leste Europeu elevou nesta quarta-feira para 89 o número total de mortes em decorrência das baixas temperaturas e obrigou a fornecedora de gás russa Gazprom a fazer uma advertência sobre o abastecimento para a Europa.

RICHARD BALMFORTH E MATTHEW ROBINSON, REUTERS

01 Fevereiro 2012 | 14h51

A Europa desfrutou um inverno relativamente brando até o último fim de semana, quando um sistema siberiano entrou no continente pelo leste.

Uma fonte na empresa que detém o monopólio das exportações de gás na Rússia, responsável por fornecer um quarto das importações de gás da Europa, disse que estava recebendo mais pedidos do que podia atender em razão do aumento da demanda na Rússia.

A companhia, entretanto, buscou tranquilizar os clientes. "Apesar do consumo de gás cada vez maior na Rússia em razão das fortes geadas, a Gazprom continua a cumprir suas obrigações contratuais com os clientes europeus", informou a empresa por email.

Na Ucrânia, 43 pessoas morreram nos últimos cinco dias, informou o Ministério das Emergências, no inverno mais frio registrado no país em seis anos. Durante a noite, as temperaturas chegaram a menos 33 graus Celsius e centenas de barracas com aquecimento foram montadas para abrigar os sem-teto.

"Eles dizem que fevereiro inteiro será frio, assim como a primeira quinzena de março; portanto, temos de nos preparar de alguma forma para isso", disse Victor, que vive nas ruas de Kiev.

A rede de alerta meteorológico européia Meteoalarm (www.meteoalarm.eu) advertiu sobre condições "extremamente perigosas" em diversas partes do Leste Europeu, incluindo na Sérvia, onde uma quarta pessoa foi encontrada morta durante a noite nas montanhas de Suvobor, no sudoeste do país.

As forças de segurança de lá e da vizinha Bósnia têm usado helicópteros para levar suprimentos a áreas isoladas pela neve e resgatar os idosos. A previsão nos Bálcãs é que o tempo piore ao longo da semana.

A Meteoalarm informou que o frio intenso deve continuar em muitas regiões da Europa continental, incluindo na Alemanha e especialmente no sudeste europeu.

Em Moscou, onde as temperaturas durante o dia caíram para até menos 22 graus Celsius, os opositores do primeiro-ministro Vladimir Putin estavam preocupados com a possibilidade de o frio reduzir o comparecimento a um protesto contra ele no sábado, um mês antes de ele disputar a eleição presidencial.

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