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Fóssil de baleia azul é achado em Iguape

Material aflorou com a erosão cíclica da praia

Giovana Girardi,

17 Setembro 2012 | 22h30

Enterrados na areia, sob os escombros de uma casa que desmoronou com a erosão da praia, pesquisadores da Unesp de São Vicente encontraram fósseis de uma baleia azul que pode ter passado pela região de Iguape (SP) há pelo menos 6 mil anos.

Os ossos – partes do crânio, da escápula e de costelas – foram encontrados por um morador, que alertou o grupo doLaboratório de Estratigrafia e Paleontologia da universidade. De acordo com o paleontólogo Francisco Buchmann, provavelmente a baleia encalhou numa antiga praia, quando o nível do mar era muito mais alto do que o atual e acabou sendo soterrada.

O afloramento agora foi possível por causa de um movimento cíclico de variação da linha da costa por conta de erosão que ocorre na área da praia do Leste. Em média a cada 50 anos, explica Buchmann, a praia regride cerca de 1 quilômetro e depois volta. O local está agora passando bem no meio desse processo. Análise de imagens de satélite do Google Earth aponta que entre 2001 e 2010, cerca de 700 metros da praia foram erodidos pela ação do mar.

As atividades de resgate daqueles fósseis foram feitas ao longo de apenas dez dias. No dia 22 de agosto, Buchmann fez a primeira expedição de reconhecimento do local e uma escavação inicial, onde notou que os ossos estavam cobertas de toras de madeira. Convocou então seus alunos do curso de Biologia Marinha e Gerenciamento Costeiro para ajudá-lo a escavar. O que foi feito em duas etapas.

“Era preciso ser rápido, para aproveitar a maré baixa. Tínhamos poucas horas antes que a água subisse. Quando o crânio estava enterrado ele estava seguro, mas ao erguermos, se o mar arrebentasse em cima dele, podia quebrar tudo”, conta.

Enquanto parte da equipe usava pás e enxadas para construir uma barricada com sacos de areia para proteger os resquícios da ação das ondas, outra parte dos alunos escavava com as mãos para evitar danificar os ossos. Os menores foram retirados, mas ainda faltava o crânio. No momento em que a água começou a subir, um grupo de 25 pessoas conseguiu erguê-lo, deixando-o pendurado em um tripé, acima do alcance das ondas.

Segundo Buchmann, é bastante provável que se trate de uma baleia antiga, e não um animal que eventualmente tenha sido caçado quando a prática era permitida no Brasil, no século 18, por causa do nível onde ela foi encontrada.

Ele explica que o nível do mar só foi alto daquele jeito pela última vez no Holoceno, há 6 mil anos. Antes disso foi no Pleistoceno, há 120 mil anos. De modo que ou o fóssil tem cerca de 6 mil anos ou cerca de 120 mil anos. A idade mais precisa do material será informada com datação por carbono 14 do crânio e do depósito sedimentar associado.

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