Fornecimento de água será prejudicado com proposta de mudança do Código Florestal

Empresários, gestores públicos e ambientalistas são contra mudanças nas metragens de mata ciliar em APPs

Karina Ninni, estadao.com.br

25 de março de 2011 | 22h36

As alterações propostas pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP) no Código Florestal são nocivas às águas e mananciais do País e podem prejudicar o fornecimento nos próximos anos. Essa foi a conclusão de um grupo de trabalho que reuniu empresários, gestores públicos e ambientalistas debruçados sobre o tema nesta sexta-feira em Manaus, durante o II Fórum Mundial de Sustentabilidade.

 

O grupo deve endereçar neste sábado uma moção à coordenação do Fórum, defendendo que sejam mantidos os 30 metros de mata ciliar de ambos os lados dos rios, número que a proposta do deputado reduz pela metade.

 

“Na verdade, não é pela metade. Na atual redação, são postulados 30 metros de mata de cada lado a partir do leito mais largo do rio. A proposta do Aldo postula 15 metros a partir do leito mais estreito. Ou seja: esses 15 na verdade seriam 7, porque as cheias é que fazem com que o leito aumente. Se você conta a partir do momento de seca, não está reduzindo pela metade, está reduzindo mais”, explica Mário Mantovani, superintendente da SOS Mata Atlântica.

 

O sercetário de saneamento e recursos hídricos do estado de São Paulo, Edson Giriboni, afirma que todas as medidas de proteção de mananciais são bem vindas.

 

“Devemos ser radicalmente a favor de medidas que preservem e protejam os nossos mananciais. Seria um contrasenso se aprovássemos medidas que nos prejudiquem mais, levando em conta que temos mananciais já bastante agredidos e prejudicados no Estado de São Paulo ”.

 

Giriboni cita o recente atlas da ANA (Agência Nacional de Águas) que afirma que haverá problemas de fornecimento de água em mais de 50% das cidades brasileiras nos próximos anos. E dá o exemplo o projeto do parque Várzeas do Tietê, que recebeu U$ 200 milhões do Banco Mundial justamente para recomposição das várzeas e matas ciliares da bacia mais importante do Estado.

 

Ele diz que a tragédia no Japão pode atrasar o financiamento da quarta etapa do projeto de despoluição do rio Tietê.

 

“Tínhamos garantido um recurso da Jica (Japan International Corporation Agency) de US$ 1 bilhão para a quarta etapa da despoluição do rio, mas com a tragédia no Japão está claro para nós que não será possível. A Sabesp está buscando novas formas de financiamento.”

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