Formação dos Andes deu à Amazônia sua biodiversidade atual

Mudança da topografia isolou animais em hábitats diversos e permitiu o florescimento de novas espécies

Alexandre Gonçalves, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2010 | 17h09

 

A Amazônia já contava com uma grande biodiversidade há mais de 65 milhões de anos, mas as formas atuais que ocupam a área tiveram origem há 10 milhões. A região também pode ter se beneficiado, durante algum tempo, há 55 milhões de anos, de altas temperaturas e altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Essas conclusões constam de dois artigos sobre a floresta publicados na edição desta semana da revista Science.

 

Segundo os estudos, o oeste da região Amazônica tem, provavelmente, a maior biodiversidade do planeta, e essa riqueza é mais antiga do que imaginavam os cientistas, de acordo com um dos artigos, que focaliza a lenta formação da Cordilheira dos Andes.

 

 

No trabalho, encabeçado por Carina Hoorn, da Universidade de Amsterdã, e que conta com quatro coautores brasileiros, os pesquisadores empregaram uma grande variedade de disciplinas, incluindo filogenia molecular, ecologia, geologia e paleontologia, para produzir uma visão geral dos habitantes antigos e dos processos geológicos que deram forma à selva ao longo de milhões de anos.

 

De acordo com os cientistas, a elevação das montanhas andinas causou um processo geológico complexo e em etapas que, no fim, conduziu à grande variedade de espécies que existe nas diferentes regiões da Amazônia. "As formações montanhosas e a mudança no curso dos rios produziu um mosaico de hábitats onde os animais e plantas permaneceram isolados", explica Francisco Negri, da Universidade Federal do Acre. "Com o tempo, eles evoluíram e produziram diferentes espécies."

 

O geólogo Jorge Figueiredo, da Petrobrás, afirma que dados da empresa foram cruciais para os resultados do trabalho. Figueiredo trabalha com prospecção de petróleo na região amazônica. Ao estudar os dados coletados, percebeu que ofereciam informações valiosas sobre a gênese do rio Amazonas, essencial para a biodiversidade na região. Há um ano, ele também publicou um paper com Carina na revista científica Geology em que datava a origem do rio há 10 milhões de anos.

 

 

Ao lado de Carina, o biólogo Alexandre Antonelli, brasileiro que vive na Suécia e coordena o Jardim Botânico de Gothenburg, coordenou o trabalho publicado na Science. Ao analisar dezenas de gêneros de animais e plantas da floresta, pôde concluir que as atuais espécies que compõem biodiversidade da Amazônia são fruto de um processo evolutivo que começou principalmente há 10 milhões de anos, quando uma imensa região alagada que cobria a área cedeu lugar à floresta tropical.

 

Em outro trabalho, cientistas do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais do Panamá estudaram os efeitos de um dos episódios mais abruptos de aquecimento global dos últimos 65 milhões de anos, o chamado Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, ou MTPE, sobre as selvas da Colômbia e Venezuela.

 

"Calcula-se que durante o MTPE as temperaturas nas regiões tropicais aumentaram de 3 a 5 graus, há cerca de 56,3 milhões de anos", destacam os autores, que acrescentam que a floresta tropical "pôde persistir, em contraste com as especulações de que os ecossistemas tropicais foram ameaçados pelo calor".

(com Agência Efe)

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