Força Nacional substituirá PM em Tailândia no PA

Segundo fonte militar, contigente com 157 homens deveria desembarcar neste domingo no Belém

Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo,

24 de fevereiro de 2008 | 18h40

Uma importante fonte de Brasília, ligada à operação militar, disse que o primeiro contingente de soldados da Força Nacional de Segurança, com 157 homens, deveria desembarcar no começo da madrugada deste domingo, 24, na capital paraense. Por uma "questão de logística", a Força também incluiu Marabá na rota de desembarque.   Veja também: Madeira começa a sair do PA sem resistência Protesto leva Força Nacional ao Pará   A presença da Força Nacional de Segurança na Amazônia, embora cercada de mistério, é uma decisão de governo e não será revista, até porque as forças regulares das Polícias Militar e Federal na região, segundo avaliação da fonte militar, não têm estrutura suficiente para uma permanência prolongada, de no mínimo dois meses, em municípios onde os crimes ambientais continuam sendo praticados com preocupante intensidade.   Por "medida de segurança", a fonte não quis dizer a hora exata do desembarque do vôo da Força Aérea Brasileira (FAB), previsto para ocorrer no aeroporto militar da Base Aérea de Belém. A tropa deverá seguir imediatamente para Tailândia em três caminhões militares.   Assim que ela chegar ao município, o Pelotão de Choque da Polícia Militar retornará a Belém para cumprir outras missões. Uma delas é a desocupação de fazendas invadidas no sul e sudeste paraense por trabalhadores rurais.   Desde sábado, Tailândia está ocupada por mais de 400 policiais militares. Parte desse contingente acompanha agentes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na retirada de 15 mil metros cúbicos de madeira apreendida em sete serrarias do município. Somente no sábado, 23, 16 carretas transportaram 205 metros cúbicos.    O trabalho mal começou, porque ainda faltam visitar 130 de um total de 147 serrarias da região. A Sema acredita que nos pátios das serrarias ainda exista 50 mil metros cúbicos de madeira derrubada da floresta e transportada ilegalmente.   A aparente calma nas ruas da cidade, na verdade, camufla um clima de tensão. Os madeireiros que insuflaram seus empregados a promover quebra-quebra e saques, no começo da semana passada, inclusive distribuindo cachaça e maconha, de acordo com investigação do serviço de inteligência da PM, agora se mostram dóceis e dispostos a colaborar com as forças de segurança e agentes dos órgãos ambientais. Eles prometem, a partir de agora, atuar na legalidade. Hoje, 70% da madeira da região têm origem ilegal.   Ao mesmo tempo em que ameaçam demitir 2,5 mil empregados, os madeireiros acionaram seus advogados para ingressar, nesta segunda-feira, 25, com mandado de segurança para ter de volta a madeira que está sendo levada em carretas para uma fazenda que já pertenceu à antiga multinacional Pirelli, em Marituba, município da região metropolitana de Belém, a 240 km de Tailândia.

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