Fontes renováveis podem suprir 80% da demanda de energia até 2050, diz IPCC

Relatório afirma que crescimento da oferta depende da aplicação das políticas energéticas corretas.

Richard Black, BBC

09 Maio 2011 | 18h18

Um documento divulgado nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), o órgão da ONU para as mudanças climáticas, indica que as tecnologias renováveis podem prover 80% das necessidades de energia do planeta até a metade do século 21.

No texto, um sumário do Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renováveis e Mitigação da Mudança Climática (SRREN, sigla em inglês), o IPCC afirma que quase a metade dos investimentos atuais em geração de eletricidade já é voltada para as fontes renováveis.

No entanto, o Painel afirma que o crescimento disto depende da aplicação das políticas corretas.

"Com o apoio consistente de políticas climáticas e energéticas, as fontes renováveis de energia podem contribuir substancialmente para o bem-estar humano ao prover energia sustentavelmente e estabilizar o clima", disse Ottmar Edenhofer, copresidente do grupo de trabalho do IPCC que produziu o estudo.

"No entanto, o aumento substancial das (fontes) renováveis é tecnicamente e potencialmente muito desafiador", acrescentou.

Cenários

O IPCC analisou no relatório 164 cenários futuros de desenvolvimento energético. Aqueles nos quais se recorreu com mais força às fontes renováveis resultaram em um corte nas emissões de gases do efeito estufa de cerca de um terço até 2050, em comparação com as projeções ligadas a tecnologias convencionais.

Atualmente, as tecnologias renováveis suprem 12,9% da demanda global de energia. No entanto, a maior fonte, responsável por cerca de metade do total global, ainda é a queima de madeira para aquecimento e preparo de alimentos nos países em desenvolvimento.

Isto não é sempre verdadeiramente renovável, já que nem sempre são plantadas novas árvores para compensar as que são derrubadas.

A tecnologia que cresce mais rapidamente é a energia gerada por painéis solares conectados, que teve um aumento de 53% na capacidade instalada de 2009. No entanto, o IPCC indica que esta tecnologia continuará sendo uma das mais caras pelos próximos anos.

Das várias tecnologias disponíveis, a bioenergia é considerada a de maior potencial de crescimento em longo prazo, seguida pela energia solar e pela energia eólica.

No entanto, o IPCC afirma que os governos terão de acelerar suas políticas para estimular o investimento em fontes renováveis se quiser que esta indústria cresça substancialmente.

Saber se os governos farão isto ou não será um fator determinante para que as metas climáticas globais sejam atingidas, diz o relatório.

Energia de sobra

O estudo também conclui que há mais que o necessário para atingir as necessidades de energia atuais e futuras do planeta.

"O relatório claramente demonstra que as tecnologias renováveis podem suprir o mundo com mais energia do que ele pode vir a necessitar e a um custo altamente competitivo", disse Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica.

"O relatório do IPCC será uma referência-chave tanto para autores de políticas públicas quanto para a indústria, pois representa a mais abrangente revisão de alto nível da energia renovável até agora", afirmou.

O IPCC é responsável por fornecer análises sobre assuntos climáticos para a comunidade internacional, e suas conclusões tem sido endossadas pelos governos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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