Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Fogo destrói metade de terra indígena em Mato Grosso do Sul

Brigadistas se revezam 24 horas no combate às chamas; previsão é de pico de incêndios em setembro no Pantanal

Emilio Sant'Anna e Tiago Queiroz, enviados especiais do Estadão

30 de agosto de 2021 | 05h00

CORUMBÁ - Após 18 dias de incêndio no território indígena Kadiwéu, no interior do Mato Grosso do Sul, os brigadistas do Ibama esperam finalizar nesta segunda-feira, 30, o trabalho de combate ao fogo. Cinquenta homens do Prevfogo, ligado ao órgão ambiental federal, se revezaram durante 24 horas na região. As chamas consumiram 48% da área protegida.

Lá, vivem cerca de dois mil indígenas. O local tem cerca de 540 mil hectares – o que equivale a 540 mil campos de futebol – e o acesso é o principal problema. “Os combates não são difíceis, a vegetação é rasteira. Porém, o mais complicado é o acesso. Por vezes o fogo está em cima do morro, é preciso fazer caminhadas de 10, 12 quilômetros, e é uma encosta com muitas pedras soltas”, conta Bruno Águeda Ovelha, supervisor de brigadas.

Assim como o Estadão mostrou no sábado, 28, os brigadistas combatem o fogo sem usar água por causa da dificuldade de acesso às regiões mais remotas do Pantanal. “Aqui o soprador de ar foi fundamental para esse tipo de combate de fogo rasteiro. Com ele, conseguimos fazer a extinção do combustível e combater o fogo por abafamento”, afirma Ovelha. Movido a combustível, o equipamento ajuda a mudar a direção do fogo. 

Neste fim de semana, as chuvas voltaram a cair em Mato Grosso do Sul, o que aliviou o trabalho dos brigadistas. O volume da precipitação, porém, tem sido bem menor do que o previsto para esta época do ano.

Até domingo, 29, quando brigadistas e Corpo de Bombeiros tentavam conter o fogo na estrada Transpantaneira, em Mato Grosso, o Pantanal havia registrado 1.463 focos de incêndio, em agosto. 

No ano passado, o bioma bateu recordes históricos de focos de incêndio e área destruída pelo fogo. Apesar de abaixo dos números de 2020, isso coloca o bioma acima da média histórica. E o pico de queimadas ainda não chegou – é esperado para setembro.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram que o fogo castiga outros biomas. A Caatinga teve crescimento de 157% nos focos de incêndio de janeiro a agosto, ante igual período de 2020. No Cerrado, a alta é de 33%, e na Mata Atlântica, 28%. 

","PROVIDER":"UVA"}]}#---]

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.