EFE/FERNANDO TATABIGA
EFE/FERNANDO TATABIGA

Fogo acaba e Parque da Chapada pode reabrir nesta semana

Agentes do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), responsável por cuidar da área, verificaram que a situação voltou à normalidade

André Borges, Brasília

29 Outubro 2017 | 17h58

As portas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros devem ser reabertas nesta quarta-feira, dia 1. Na manhã deste domingo, 29, após sobrevoar toda a área do parque, agentes do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) constataram que o fogo, finalmente, acabou.

Ao Estado, a assessoria do órgão federal confirmou que, não ocorrendo novas surpresas na mata, o parque será reaberto - para alívio das cidades do entorno, que têm suas economias baseadas, basicamente, no turismo.  A reabertura do parque é a principal demanda das centenas de proprietários de pousadas, restaurantes e comércios que, nos últimos dias, viram o movimento desaparecer. Hotéis tiveram reservas canceladas. Nas ruas das cidades, o que se via até sexta-feira era a o deslocamento de agentes públicos e voluntários no combate ao incêndio.

As informações preliminares dão conta de que apenas parte das três trilhas foi atingida pelo fogo. Diferentemente de outras atrações naturais da região da Chapada, localizadas em propriedades privadas, o parque nacional, que concentra as cachoeiras e passeios mais belos, tem entrada gratuita.

Atualmente, o parque recebe cerca de 70 mil visitas por ano, o triplo do que recebia uma década atrás. As estimativas locais apontam que cerca de R$ 100 milhões são movimentados por ano pelo turismo que gira ao redor da parque. Em suas áreas, há 466 nascentes de água.

O combate ao incêndio da Chapada foi realizado por cerca de 200 brigadistas, além de outras centenas de voluntários, mas também contou com o apoio fundamental das chuvas que atingem a região neste fim de semana, condição que já era considerada decisiva para extinguir de vez as chamas. “As chuvas são realmente fundamentais para extinguir o fogo”, disse Fernando Tatagiba, chefe do Parque da Chapada. “Temos que agradecer muito ao trabalho dos voluntários, que também deram um apoio crucial todos esses dias.”

Apesar de ter a situação sob controle, o ICMBio ainda manterá uma equipe na região para monitoramento caso surjam novos focos de incêndio. Além disso, a região conta com a presença de agentes da Polícia Federal, que investiga as origens da maior catástrofe ocorrida no Parque da Chapada, em Goiás.

Depois de duas semanas de chamas, 68 mil hectares do parque viraram cinzas, o equivalente a 28% de sua área total, que desde 5 de junho passou a ser de 240 mil hectares. Em termos de perdas de fauna e floram porém, trata-se de um estrago difícil de ser quantificado.

O fogo faz parte do processo de renovação do Cerrado e suas espécies são resistentes a incêndios, mas não nas proporções do que ocorreu em uma das áreas mais preservadas do País, na região de Alto Paraíso, São Jorge, Cavalcanti, Teresina de Goiás e Colinas. “Temos espécies que se recuperam mais rápido, mas com certeza perdemos espécies aqui que, em muitos, não teremos novamente”, lamenta Tatagiba.

Histórico 

Criado em 1961, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros nasceu com uma área de 650 mil hectares. Década após década, porém, essa área passou por sucessivos cortes, até chegar ao tamanho de 65 mil hectares. Em 2003, um decreto chegou a ampliar a área para 235 mil hectares, mas liminares dadas pela Justiça a produtores rurais conseguiram derrubar a ampliação do parque.

Há dois anos, o projeto de ampliação, que era uma demanda antiga de ambientalistas, voltou a ser discutido pelo governo. A decisão de ampliar a área veio finalmente em 5 de junho, no Dia Mundial do Meio Ambiente, às vésperas do presidente Michel Temer viajar para a Noruega, onde enfrentaria fortes críticas por conta da condução de pautas socioambientais no Brasil.

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