Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
CBMMS/Divulgação
Bombeiros mobilizam contingente e aviões no combate aos incêndios no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Depois do controle das chamas, os bombeiros fazem o rescaldo e buscam animais atingidos pelo fogo CBMMS/Divulgação

Focos de incêndio voltam a atingir o Pantanal; cidades turísticas já perderam 3 mil hectares

Ao menos 100 bombeiros militares estão acampados na região; falta de chuvas e baixa umidade do ar favorecem propagação das chamas. Bioma teve recorde de incêndios ano passado

José Maria Tomazela e Amanda Calazans,, Especial para o Estadão

12 de julho de 2021 | 15h00
Atualizado 12 de julho de 2021 | 21h40

Grandes focos de incêndio voltaram a atingir o Pantanal, em Mato Grosso do Sul, um dos ecossistemas mais vulneráveis do País, neste fim de semana. As chamas consumiram três mil hectares no Banhado do Rio da Prata e avançam sobre a região de Porto Morrinho, a 70 km da área urbana de Corumbá.

Animais já foram atingidos pelo fogo. Pelo menos 100 bombeiros militares estão acampados na região, em missões de combate aos focos. A falta de chuvas e a baixa umidade do ar favorecem a propagação das chamas.

Neste domingo, 11, os bombeiros combateram vários focos que surgiram à margem direita do Rio Paraguai, em Porto Morrinho. Essa é uma região de pesqueiros, muito procurada por turistas que viajam para o Pantanal. A mata é fechada e com grande quantidade de coqueiros e caraguatás, que ajudam as chamas a ganharem altura. Essa frente de combate é integrada por 79 militares e brigadistas voluntários, com apoio de 15 veículos traçados. No fim da tarde, a fumaça densa ainda cobria o horizonte.

Conforme o major André Munhoz, comandante da operação, havia chamas também na região da Nhecolândia e do Paraguai-Mirim. “A característica dessa região é que são áreas extensas de grandes fazendas, quase sem estradas, com acesso difícil aos focos”, disse.

Em vários pontos o terreno é composto por turfa, material orgânico acumulado no subsolo, onde acontece o chamado fogo subterrâneo. No período de seca severa, como agora, esse material se torna altamente inflamável.

Novos focos de incêndio apareceram no Banhado, área normalmente alagada, mas agora totalmente seca, na bacia do Prata, entre Bonito e Jardim. O Corpo de Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul (CBMMS) mobilizou 50 homens, dois aviões e quatro caminhões-pipas para combater os focos.

O risco é de que o fogo atinja o Parque Nacional da Serra da Bodoquena. As aeronaves realizaram voos de reconhecimento para identificar os novos focos. Os incêndios haviam sido controlados no sábado, mas voltaram a ocorrer. A Marinha do Brasil emprestou um helicóptero para o lançamento de água sobre as chamas.

Espécimes da fauna silvestre já são vitimados pelo fogo. Depois de terem encontrado jacarés queimados em um banhado, no sábado, 10, os bombeiros militares registraram uma sucuri de 5,5 metros, atingida pelo fogo, no Banhado do Rio da Prata.

No ano passado, o Pantanal teve recorde de incêndios, atingindo cerca de 4,1 milhões de hectares do bioma, que se estende até o sul do Estado de Mato Grosso. Até onças-pintadas morreram nas chamas que afetaram 28% do bioma, segundo o Instituto SOS Pantanal.

Queimadas ameaçam turismo

Na região de Porto Morrinho, o turismo pesqueiro espera ser afetado pela fumaça dos incêndios em breve. “Não tem como correr: não chove, este tempo seco. De um jeito ou de outro vai afetar o turismo. Já vem afetando a falta de água, a isca, a gasolina, a covid”, afirmou Getúlio de Souza, proprietário da pousada Vida Selvagem de Corumbá.

Enquanto isso, à margem do Corixo Gonçalinho, ligado ao Rio Paraguai, a pousada Jund Pesca está sem reservas de maio a outubro porque a baixa do nível do canal impossibilitou a saída de barcos. De acordo com a pousada, há dois anos não é realizada a dragagem do corixo, que sustenta 20 estabelecimentos de turismo.

Tudo o que sabemos sobre:
PantanalMato Grosso do Sul [estado]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Governo do MS pode decretar emergência para facilitar controle de incêndios no Pantanal

Medida pode facilitar a mobilização de recursos para prevenir e enfrentar o fogo, diz o secretário de Meio Ambiente. Previsão aponta que volume de chuva até setembro será até 50% menor que o esperado

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 15h44

O governo do Mato Grosso do Sul avalia decretar emergência em alguns municípios do Pantanal para facilitar as ações de combate aos incêndios florestais. Conforme o secretário do Meio Ambiente, Jaime Verruck, a previsão meteorológica para o segundo semestre mostra que o volume de chuvas no Estado nos meses de julho, agosto e setembro será de 40% a 50% abaixo do que é esperado para o período.

“Temos uma anomalia climática presente e isso facilitaria a mobilização dos recursos para prevenir e enfrentar o fogo”, disse. Segundo ele, o governo do Estado investiu R$ 56,6 milhões em veículos e equipamentos para fazer frente à nova temporada de queimadas.

O objetivo é evitar que os incêndios se tornem descontrolados, como aconteceu em 2020, quando uma parcela expressiva do Pantanal foi carbonizada. “Estamos preparados para esse período mais crítico de incêndios florestais, pois temos uma integração de todas as forças e recursos materiais para o combate, além de mais pessoal treinado”, disse.

Em abril, o governo criou um centro operacional para coordenar as ações previstas no plano estadual de manejo integrado do fogo. Verruck é o coordenador desse centro, que agrega o Corpo de Bombeiros Militares, Defesa Civil e outras secretarias de governo. “Avançamos muito no planejamento de ações preventivas para evitar que o fogo comece”, disse.  

Segundo ele, a previsão meteorológica para o segundo semestre mostra que o volume de chuvas em Mato Grosso do Sul nos meses de julho, agosto e setembro será de 40% a 50% abaixo do que é esperado para o período.  “Estamos preparados para esse período mais crítico de incêndios florestais, pois temos uma integração de todas as forças e recursos materiais para o combate, além de mais pessoal treinado”, disse.

Nos dez primeiros dias deste mês, foram detectados 270 focos de incêndio no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Instituto SOS Pantanal. “O número indica que a temporada de incêndios já está em curso e o alerta é máximo. Porém, apesar de termos um inverno mais seco, vemos um número significativamente menor de área consumida pelo fogo este ano, comparado a 2020”, disse.

Conforme os dados, de 1º de janeiro a 10 de julho de 2020, os incêndios queimaram 800 mil hectares no Pantanal. No mesmo período deste ano, as chamas consumiram 62.025 hectares, uma redução de 92%. O SOS Pantanal acredita que as ações preventivas têm ajudado a manter os incêndios mais controlados. Durante todo o mês de junho, a Expedição Pantanal realizada pelo instituto capacitou e equipou 219 pessoas em 19 fazendas e 11 comunidades para prevenção e combate aos focos.

Foram formadas 12 turmas de brigadistas. “Este ano, serão quase 400 mil hectares abrangidos pela ação das brigadas rurais, entre os municípios de Aquidauana e Miranda, no Mato Grosso do Sul, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento e Poconé, em Mato Grosso”, informou. O projeto tem apoio do Corpo de Bombeiros, Ibama e Serviço Florestal Americano, além dos movimentos ‘Artistas pelo Pantanal’ e ‘O Pantanal Chama’. A Fundação Toyota e a Azul Linhas Aéreas colaboraram com a mobilidade aérea e por terra da expedição.

Tudo o que sabemos sobre:
Mato Grosso do Sul [estado]Pantanal

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.