Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Flávio Bolsonaro diz que questões eleitorais não podem atrapalhar interesses de Fernando de Noronha

Ao 'Estado', senador disse que o governo federal vai seguir com o plano de abrir o arquipélago para cruzeiros marítimos; medida foi criticada por Pernambuco

André Borges, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 16h09

BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ) reagiu às críticas do governo de Pernambuco sobre os planos federais para o turismo em Fernando de Noronha e disse que interesses e posicionamentos políticos não podem atrapalhar o futuro da ilha.

Ao Estado, Flávio declarou que não se “pode colocar questões eleitorais acima dos interesses da população local” e que o governo federal vai seguir com o plano de abrir o arquipélago para cruzeiros marítimos, o que hoje é proibido por causa das restrições de visitação, além de fazer 12 “naufrágios artificiais” de embarcações no entorno de Fernando de Noronha, para formação de corais como atração de mergulho.

“Vamos dar prosseguimento nas demandas feitas pelo conselho comunitário da ilha, que é a voz dos moradores de Fernando de Noronha. Ninguém em sã consciência pode colocar questões eleitorais acima dos interesses da população local, como modernizar aeroporto ou ampliar o porto, para atender a quem reside lá ou vai visitar a ilha”, afirmou Flávio Bolsonaro, em nota enviada ao Estado.

“Fernando de Noronha vive do turismo, é isso que bota comida na mesa dos moradores e o que for possível fazer para aumentar a atividade, de forma responsável e gradual, nós faremos” declarou o filho “01” do presidente Jair Bolsonaro.

Os barcos que tinham aval para atracar em Noronha tinham capacidade de 150 a 200 passageiros, mas agora o plano, conforme apurou o Estado, é liberar para embarcações com 600 passageiros ou mais, o que pode colocar em xeque a capacidade de suporte do local, patrimônio natural da humanidade.

A declaração de Flávio Bolsonaro é uma resposta às afirmações do governo de Pernambuco, que sequer foi comunicado pelo governo federal sobre a visita que o senador e o presidente da Embratur, Gilson Machado, fariam à ilha dias atrás. Ao saber dos planos do governo Bolsonaro, o secretário de Meio Ambiente pernambucano, José Bertotti, o modelo proposto não "respeita a natureza".

Bertotti declarou, por nota, que “a informação de que o governo federal vai ‘autorizar’ a entrada de cruzeiros marítimos em Fernando de Noronha deixa mais uma vez evidente a maneira como a União lida" com o meio ambiente. “As referidas autoridades desconhecem a existência da limitação do número de visitantes em Fernando de Noronha e as consequências de colocar na ilha mais de 600 pessoas de uma só vez, como acontece no caso dos navios de cruzeiro.”

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