Financiamento será o maior entrave a um acordo climático

Presidente da cúpula da ONU afirma que é 'crucial que países ricos apresentem números concretos'

Efe,

03 Dezembro 2009 | 16h48

A presidente da cúpula de Copenhague sobre a mudança climática, a dinamarquesa Connie Hedegaard, disse nesta quinta-feira, 3, que o principal obstáculo a um acordo sobre o tema é o financiamento dos mecanismos de redução das emissões de gases estufa e da adaptação dos países em desenvolvimento a esta nova realidade.

 

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A ex-ministra do Meio Ambiente admitiu que, nos últimos meses, cresceu na comunidade internacional a compreensão de que o financiamento deve ser pelo menos até 2020 e estabelecido em Copenhague, mesmo que não sejam definidos valores.

 

"É crucial para os países em desenvolvimento que apresentem em Copenhague números concretos sobre o financiamento a longo prazo", disse Hedegaard, que na semana passada deixou o cargo no Governo dinamarquês para se concentrar nos preparativos da conferência e, além disso, foi nomeada futura comissária europeia de Meio Ambiente.

 

Apesar de admitir que as negociações prévias serão dificultadas por questões pontuais, como a do financiamento, Hedegaard falou da "atmosfera construtiva" em torno do encontro e destacou que a cúpula, que será realizada de 7 a 18 de dezembro, já é um sucesso por fazer da mudança climática um tema de debate no mundo todo.

 

Para a dinamarquesa, a conferência também forçou muitos países a fixarem metas específicas em relação à redução das emissões. "O prazo limite fixado em Copenhague está funcionando. Apesar da crise econômica, a mudança climática continua na agenda internacional, cerca de cem chefes de Estado e de Governo estarão em Copenhague e países como Japão, Rússia, Estados Unidos, Brasil e China já estabeleceram metas concretas", afirmou.

 

Hedegaard admitiu que é praticamente impossível fechar um tratado juridicamente vinculativo na capital dinamarquesa, mas destacou a proposta dinamarquesa de um acordo em duas partes. "Na reunião da ONU de setembro, muitos falavam de fazer um acordo parcial em Copenhague. Agora há um reconhecimento geral de que temos que apresentar um acordo que abranja todos os pontos, que seja um pacote total", afirmou.

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