Fêmeas de macaco se comunicam mais que os machos

Cientistas explicam que comunicação das fêmeas tem como objetivo manter e fortalecer os vínculos sociais

Efe

19 Novembro 2008 | 16h09

As fêmeas de macaco utilizam mais a comunicação sonora que os machos e "conversam" mais entre elas que com o outro sexo, segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira, 19, pela revista britânica New Scientist.   Uma equipe de cientistas da Roehampton University de Londres estudou as relações em um grupo de macacos e explica que a natureza comunicativa destas fêmeas tem como objetivo manter e fortalecer os vínculos sociais.   Segundo os pesquisadores, esta descoberta reforça a hipótese de que a linguagem humana evoluiu para forjar laços entre os indivíduos e estabelecer sociedades organizadas.   A equipe científica, liderada por Nathalie Greeno e Stuart Semple, partiu desta hipótese para assegurar que também nas espécies de animais com amplas redes sociais, como os macacos, os intercâmbios de sons representam um grande papel para a comunidade.   Para demonstrá-lo, estudou durante três meses a comunicação sonora estabelecida em uma comunidade de 24 macacos, 16 deles fêmeas e 8 machos, na ilha de Cayo Santiago (Porto Rico).   Os cientistas registraram os grunhidos, arrulhos e "conversas amistosas" estabelecidas entre os indivíduos e ignoraram os sons relacionados com a comida ou a presença de um predador.   As fêmeas de macaco usaram essa forma de comunicação 13 vezes mais que os machos e o fizeram mais entre elas que com o outro sexo.   Estes resultados, segundo os pesquisadores, sugerem que as fêmeas dependem mais da comunicação vocal que os machos por sua necessidade de manter as redes sociais.   Além disso, como elas passam toda a vida na mesma comunidade, frente aos machos que vagam de um grupo para outro, formam vínculos sólidos e duráveis e confiam em suas companheiras para cuidar de sua descendência.   Os machos, ao contrário, se comunicam em igual medida com ambos os sexos.   Os cientistas dizem que é a primeira vez que foram identificadas diferenças na comunicação animal em função dos sexos.

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