Fazendeiros sul-africanos se opõem à exploração de gás de xisto pela Shell

Eles estão preocupados com a técnica de fracionamento hidráulico usada na extração, que tem alto impacto para as águas subterraêneas

Reuters

03 de fevereiro de 2011 | 15h55

A Shell está tendo trabalho com a oposição a seus planos de prospectar gás de xisto na região semi-desértica de Karoo, na África do Sul. Os fazendeiros locais temem que os métodos utilizados possam contaminar a água e ameaçar o ambiente.

A decisão sobre a possibilidade da Shell continuar os trabalhos pode influenciar resoluções de pedidos de outras empresas para exploração na região de Karoo. Especula-se que o local abrigue depósitos substanciais da gás de xisto.

A exploração do gás de xisto só é possível hoje em dia graças a novas técnicas e especialistas afirmam que esta poderia ser uma nova fonte de energia para a maior economia do continente africano, que é fortemente dependente do carvão.

As petroquímicas Sasol, Anglo American, Falcon Oil and Gas e Bundu Gas and Oil Exploration estão entre os grupos de olho no gás de xisto de Karoo.

 

A preocupação da população é relativa aos métodos de extração, conhecido como fraturamento hidraúlico, pelo qual perfuradoras provocam explosões subterrâneas submentendo milhões de litros de água, areia e químicos a altas pressões. O processo provoca fissuras nas formações rochosas e permite que o gás e o óleo escapem mais facilmente.

"Estamos muito preocupados com o impacto ambiental, especialmente porque fraturamento hidraúlico não é regulamentado na África do Sul", afirmou Derek Light, um advogado representante de vários proprietários de terras em Karoo. Ele disse que os fazendeiros estavam preocupados com a sensibilidade dos sistemas de água do subsolo, da qual a região é totalmente dependente, e com os riscos de contaminação.

De acordo com as conclusões de uma investigação do Congresso dos EUA, algumas companhias energéticas podem ter violado regras ambientais ao injetar diesel no subsolo sem permissão, como parte da técnica de perfuração.

"Temos inquietações com relação ao fracionamento, pois é uma técnica que traz riscos inaceitáveis de poulição no tocante à captação de água", disse Mark Botha, chefe de conservação ambiental da WWF na África do Sul.

A Shell, que lançou mão de consultas públicas como parte de sua avaliação de impacto ambiental, disse em Janeiro que solicitou direitos de exploração em Karoo para a Petroleum Agency South Africa.

"O fracionamento é o melhor método de extrair o gás que está preso ao xisto", disse o vice presidente de comunicações da Shell, Phaldie Kalam.

Ele disse que a Shell está atenta para as inquietações da população e que irá incorporá-las no plano de gerenciamento ambiental que estpa sendo esboçado, e cuja versão final é esperada para abril.

A Ministra dos Recursos Minerais, Susan Shabangu, estabeleceu uma moratória indefinida para todas as novas explorações e direitos de produção na região de Karoo, embora a decisão não afete as permissões que já existem.

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