Falso comunicado oficial constrange governo canadense

Para ridicularizar metas modesta do país, grupo forjou texto em que o Canadá aceitava corte ambicioso de emissões

AP

14 Dezembro 2009 | 20h39

O comunicado de imprensa era bom demais para ser verdade.

Anunciava que o Canadá, um dos países mais resistentes a mudanças na negociação sobre o clima, tinha se decidido por uma guinada radical: estava disposto a cortar em 40% suas emissões de carbono até 2020 (em relação aos níveis de 1990) e em 80% até 2050 – metas mais duras que as de qualquer outro país.

O comunicado parecia oficial. Tinha o logotipo do Ministério do Meio Ambiente canadense. Incluía um link para um “artigo” do Wall Street Journal afirmando que a obstrução de negociações na COP-15 promovida por países em desenvolvimento tinha levado o Canadá a aceitar compromissos mais ambiciosos – até agora, o país só acenou com o corte de emissões em 20% sobre os níveis de 2006, uma das metas mais modestas apresentadas por países ricos.

As novas metas? São uma miragem. Uma farsa perpetrada por um grupo irreverente, que se autodenomina The Yes Men.

Eles disseram à AP que fizeram a brincadeira para expor a incapacidade do Canadá de adotar políticas severas contra a emissão de gases que provocam o efeito estufa.

“A ideia era confundir o governo canadense, que montou uma operação de guerra para divulgar favoravelmente sua posição no debate sobre o clima, apesar de todos saberem que a proposta do país é uma piada”, disse Mike Bonanno, um dos Yes Men.

A farsa foi o assunto do dia para os correspondentes canadenses em Copenhague. Dominou a entrevista coletiva concedida pelo ministro do Meio Ambiente, Jim Prentice. “O governo do Canadá não teve nada a ver com isso”, disse Prentice, com cara de poucos amigos.

Os Yes Men ganharam notoriedade este ano, quando se fizeram passar por representantes da Câmara de Comércio americana numa “entrevista coletiva”.  Eles anunciaram que a câmara tinha revisto sua posição sobre o aquecimento global e suspenderia o lobby contra o projeto de lei ambiental de 800 páginas preparado no Senado.

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