Extrair gás de efeito estufa do ar pode ser necessário se não houver ação rápida, diz ONU

Uma ação mais rápida é necessária para limitar o aquecimento global a limites estabelecidos e atrasos até 2030 podem levar à dependência de tecnologias para extrair gases de efeito estufa do ar, afirmou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado neste domingo.

ALISTER DOYLE, Reuters

13 Abril 2014 | 10h15

O estudo, com base na obra de mais de mil especialistas, disse que uma substituição de combustíveis fósseis por energia de baixo carbono como a eólica, solar ou nuclear é acessível e implicaria a redução de apenas cerca de 0,06 ponto percentual por ano do crescimento econômico mundial.

"Temos uma janela de oportunidade na próxima década, e, no máximo, nas próximas duas décadas" para agir a custos moderados, disse Ottmar Edenhofer, co-presidente de uma reunião em Berlim do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

"Eu não estou dizendo que é sem custo. Eu não estou dizendo que a política do clima é um almoço grátis. Mas é um almoço que vale a pena comprar", disse Edenhofer.

O relatório, endossado por governos, tem como objetivo ser o principal guia científico para as nações que trabalham em um acordo das Nações Unidas que deve ser assinado no final de 2015 para conter as emissões globais de gases de efeito estufa, que atingiram repetidamente novos recordes, guiadas pelo crescimento industrial da China.

Governos se comprometeram a limitar o avanço da temperatura a no máximo 2 graus Celsius acima dos níveis da era pré-industrial para evitar cada vez mais ondas de calor, inundações, secas e elevação do nível do mar, que, segundo o IPCC, estão ligados ao aquecimento artificial provocado pelo homem.

Cenários do IPCC mostraram que as emissões globais de gases de efeito estufa devem atingir o pico em breve e ser reduzidas em 40 a 70 por cento dos níveis de 2010 até 2050. Em seguida, devem ficar próximas de zero até 2100 para manter a alta das temperaturas abaixo de 2 graus Celsius.

Tais cortes são muito mais profundos do que a maioria dos governos está planejando.

"Uma mitigação ambiciosa pode até exigir a remoção de dióxido de carbono da atmosfera", disse o IPCC. Atrasos em medidas para reduzir as emissões até 2030 forçariam um uso muito maior dessas tecnologias, mostrou o resumo de 33 páginas do documento divulgado para formuladores de políticas públicas.

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