Extração ilegal de madeira cai no mundo, ainda é grande problema

A extração ilegal de madeira caiu 22 por cento no mundo na última década, mas continua sendo preocupante do Brasil à Indonésia, segundo um estudo publicado na quinta-feira pela entidade britânica Chatham House.

ALISTER DOYLE, REUTERS

15 Julho 2010 | 11h14

O relatório diz também que a China é o maior importador e processador de madeira ilegal, produzindo compensados e móveis que rendem bilhões de dólares anuais, principalmente em exportações para EUA, Japão e Grã-Bretanha.

"A produção global total de madeira ilegal caiu 22 por cento desde 2002", segundo o relatório, que abordou a situação em Brasil, Indonésia, Camarões, Gana e Malásia.

Segundo o estudo, a redução significou a preservação de 17 milhões de hectares de florestas, área equivalente à do Uruguai. A manutenção das florestas é também um importante antídoto contra o aquecimento global.

"A extração ilegal de madeira continua sendo um grande problema", disse à Reuters Sam Lawson, co-autor do relatório. "O relatório mostra que parar a extração ilegal de madeira (...) tem uma razoável relação custo-benefício em termos de clima e desenvolvimento."

Ele lembrou que a melhor fiscalização da atividade madeireira eleva a arrecadação tributária, além de proteger as florestas.

Segundo o estudo, a extração ilegal de madeira caiu "50 por cento em Camarões, entre 50 e 75 por cento na Amazônia brasileira, e 75 por cento na Indonésia na última década". Em Gana e na Malásia não foi possível apontar uma tendência.

Juntos, esses cinco países responderam por 40 por cento da produção ilegal de madeira em 2002. O relatório de 154 páginas estima que, mesmo com a redução, mais de 100 milhões de metros cúbicos de madeira ainda são extraídos ilegalmente a cada ano no mundo. "Se colocados enfileiradas, as toras ilegais dariam mais de dez voltas no globo", disse o texto.

A madeira ilegal ainda representa 35 a 72 por cento do total extraído na Amazônia brasileira, 22 a 35 por cento em Camarões, 59 a 65 por cento em Gana, 40 a 61 por cento na Indonésia, e 14 a 25 por cento na Malásia.

Em 2008, cinco importadores estudados --EUA, Japão, Grã-Bretanha, França e Holanda-- compraram 17 milhões de metros cúbicos de madeira ilegal (em estado bruto ou industrializado), num valor de 8,4 bilhões de dólares. A maior parte veio da China.

"A China é o maior importador e exportador de madeira ilegal", disse o texto, estimando que o país importe 20 milhões de metros cúbicos anuais.

O relatório diz que reprimir a atividade clandestina costuma ser bem mais barato do que incentivos para preservar as florestas, como a concessão de créditos de carbono negociáveis.

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