Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Exposições atraem 220 mil pessoas

Programação cultural gratuita da Rio+20 consolidou-se como ponto alto da conferência

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

22 Junho 2012 | 23h03

RIO - Se a eficácia da Rio+20 na resolução dos problemas ambientais do planeta é alvo de questionamento, não há dúvida quanto ao sucesso da programação cultural gratuita paralela à conferência. No Forte de Copacabana, o público registrado foi quatro vezes maior do que o esperado: cerca de 220 mil pessoas em 11 dias, com recorde de espera de até seis horas para visitar os espaços da mostra "Humanidade". O auditório de 500 lugares esteve sempre lotado, não só em shows musicais, mas também para as palestras.

 

A grande adesão ao projeto "Paisagem", do artista plástico Vik Muniz, que compôs uma imagem do Pão de Açúcar com lixo levado pelos cariocas a uma tenda aberta no Aterro do Flamengo, também surpreendeu os organizadores. Com receio de que a convocação não fosse atendida, eles estocaram lixo para garantir que a obra sairia. Acabaram recebendo 5 mil pessoas numa semana e uma tonelada de resíduos. O material agora será reciclado pela ONG Doe Seu Lixo, e a foto do resultado final, assinada pelo artista, leiloada em favor da organização.

 

O êxito dos dois eventos, montados para engajar a população nos temas da Rio+20 e encerrados ontem, repetiu o da agenda cultural da Eco-92 e mostrou que uma parcela significativa dos cariocas quis participar de alguma forma da conferência. A exposição, na estrutura de 7 mil m2 no terreno do forte, encheu mais do que a praia de Copacabana, ali do lado. "Eu posso dizer ‘Rio+20, eu fui!’", brincou a estudante Susane Nascimento, de 22 anos.

 

As filas se mantiveram tão longas que vizinhos do forte, como a historiadora Adriana Junqueira, passaram a monitorá-la, a fim de decidir em qual dia ir. Adriana optou pela quinta-feira. Esperou quatro horas. "Não demorou tanto nem no Museu do Louvre. Mas valeu, adorei todas as salas."

 

A escolha da palavra "humanidade" para resumir o projeto foi da diretora teatral Bia Lessa, responsável por concebê-lo: era para simbolizar uma junção da sociedade civil, do setor produtivo (entre os realizadores estão Fiesp e Firjan) e de especialistas em meio ambiente na criação de um espaço de educação e cultura.

 

Em 30 anos de carreira, foi o trabalho de maior público num curto espaço de tempo. "Se soubesse que haveria tanta fila, teria expandido a exposição até o lado de fora. Dá muita vontade de fazer disso uma exposição permanente. É, acima de tudo, um espaço de inclusão", contou Bia, ontem. Existem conversas para refazê-lo futuramente, mas nada está certo. Especulou-se o Parque do Ibirapuera como novo cenário. O custo total no Forte foi de R$ 44 milhões.

 

Na quinta, após registrar a "cara" final da Baía, Vik Muniz era só satisfação. "A sensação de ver pronto é de alívio, não sabia se daria certo." Muniz foi convidado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, depois que ela assistiu ao documentário Lixo Extraordinário, centrado em seu trabalho com os catadores do hoje extinto lixão de Gramacho.

 

"Ela falou numa exposição. Só que pensei que nossa relação com as representações da natureza sempre foi de alteridade. Aqui, refizemos a imagem do Rio, estando no Rio e diante da própria imagem do Pão de Açúcar, tratamos do problema dentro do planeta", comparou, pisando seu céu de garrafas pet azuis.

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