Exposição ao óleo a longo prazo pode causar câncer, diz cartilha do governo

Exposição ao óleo a longo prazo pode causar câncer, diz cartilha do governo

Segundo o texto, a inalação de vapores do poluente tem potencial de causar dificuldades de respiração e dor de cabeça

Redação, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2019 | 21h49

SÃO PAULO - A Defesa Civil e o Ministério da Saúde publicaram nesta sexta-feira, 25, uma cartilha com orientações a voluntários que participam da limpeza de óleo nas praias. Segundo o texto, a inalação de vapores do poluente tem potencial de causar dificuldades de respiração e dor de cabeça. Já o contato direto com o material pode levar a manchas na pele e inchaço. Sobre a exposição de longo prazo ao óleo, a publicação alerta para o risco de câncer e infertilidade. 

A cartilha, porém, não especifica qual é o período de exposição necessário para o surgimento de doenças mais severas. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, consequências graves são mais comuns entre aqueles com contato crônico, como trabalhadores do setor petroquímico. 

Nos últimos dias, voluntários e pescadores têm relatado sintomas como dor de cabeça, náuseas e tontura – reações a curto prazo também listadas no material do governo. A Secretaria Estadual de Pernambuco havia registrado, até a última quinta-feira, 19 casos de intoxicação com suspeita de relação com o óleo. Para quem vai ajudar na remoção dos poluentes nas praias, é necessário usar equipamentos de proteção, como luvas e galochas. 

A cartilha do governo feral recomenda ainda que profissionais de saúde registrem casos suspeitos e confirmados de intoxicação exógena no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan). O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta semana que não há alerta do governo e que ainda serão feitos estudos sobre os efeitos do óleo na cadeia alimentar. 

A publicação recomenda ainda seguir as orientações da vigilância sanitária das regiões afetadas sobre o consumo de peixes e frutos do mar. Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que não há proibição para a comercialização de pescados do Nordeste, mas “autoridades estaduais podem definir restrições” diante da situação específica de cada localidade.

O governo federal também publicou orientações técnicas para remoção manual e mecânica do óleo, além de recomendações específicas para cada tipo de ambiente, como áreas rochosas ou mangue. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.