REUTERS/Adriano Machado
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'Exploram petróleo no Ártico e caçam baleia', diz ministro sobre Noruega

País responde por 94% das doações de R$ 3,4 bilhões para o Fundo Amazônia. Para Ricardo Salles, noruegueses têm passivos ambientais e colocam carga no Brasil, 'distorcendo a questão ambiental'

André Borges, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 16h24
Atualizado 08 de agosto de 2019 | 12h23

BRASÍLIA – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desqualificou as cobranças que a Noruega tem feito às mudanças no Fundo Amazônia, principal programa do País de combate ao desmatamento. Em audiência no Senado, Salles disse que a Noruega, que responde por 94% das doações de R$ 3,4 bilhões para o fundo, possui passivos ambientais.

“A Noruega é o país que explora petróleo no Ártico, eles caçam baleia. E colocam no Brasil essa carga toda, distorcendo a questão ambiental”, declarou o ministro ao comentar as negociações sobre o Fundo Amazônia.

O programa está parado desde que o governo declarou haver irregularidades na gestão do fundo, apesar de a Noruega e Alemanha terem afirmado que estavam satisfeitos com a gestão do programa, feita pelo BNDES, e com a seleção de seus projetos em andamento.

Os governo da Noruega e Alemanha ainda não se posicionaram oficialmente sobre o que será feito de suas doações atuais ou futuras para o Fundo Amazônia. Salles disse que sua proposta é criar um comitê executivo que passa a analisar e fiscalizar as ações do conselho consultivo do fundo. "Não estamos nos tornando, nem de longe, esse patinho feio que interesses comerciais e midiáticos têm dito", afirmou.

Mais cedo, Salles esteve em audiência na Câmara dos Deputados para tratar das questões ambientais. Houve bate-boca com parlamentares e Salles deixou a audiência escoltado pela polícia legislativa.

Nilton Tatto (PT-SP) comparou o ministro a um bandeirante, disse que era um ministro da Agricultura e um office boy de ações contra a preservação do meio ambiente. Salles reagiu, houve confusão com parlamentares da bancada ruralista e a sessão foi encerrada.

O Estado tentou contatar a Embaixada da Noruega na noite desta quarta, mas não houve sucesso. 

Inpe

No Senado, o ministro disse ainda que a exoneração de Ricardo Galvão do cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ocorreu porque o pesquisador teria divulgado informações midiáticas alarmistas. Segundo Salles, Galvão deixou o cargo porque “colocou lenha na fogueira”, em vez de ter agido com “bom senso”.

O governo tem declarado que os dados oficiais são equivocados, mas ainda não apresentou nenhuma proposta efetiva que aponte quais seriam, então, os dados que entende como corretos.

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