Ex cético, Bjorn Lomborg diz que aquecimento global deve ser prioridade

Estatístico dinamarques que dizia que mudanças climáticas não deveriam ser prioridade agora propõe fundo de US$ 100 bi por ano

The Guardian

31 de agosto de 2010 | 21h16

Ambientalista cético "a seu modo", Bjorn Lomborg agora clama por um fundo global de US$ 100 bilhões por ano para pesquisas sobre soluções para as mudanças climáticas. Os líderes de alguns grupos ambientalistas e thinktanks receberam as novas com cautela, enquanto outros preferiram taxar a iniciativa como "ingenuidade política".

 

Um porta-voz do Greenpeace deu boas vindas à conversão de Lomborg mas disse que ela veio com duas décadas de atraso para que ele seja levado a sério. "Ao menos isso confirma a máxima de que ninguém está errado o tempo todo".

 

"Parece que o pretenso cético está começando a se tornar menos cético conforme chega perto da meia idade", disse o responsável pela campanha do clima da ONG Amigos da Terra, Mike Childs, afirmando que a mudança de ideia de Lomborg é um golpe em alguns membros da comunidade dos céticos.

 

O controverso estatístico dinamarquês, que nunca negou o papel da humanidade no aquecimento global mas tem proporcionado base intelectual para os céticos "linha dura", argumentava antes da "virada" que a contenção do aquecimento global não deveria ser uma prioridade dos governos. Mas em seu novo livro, Soluções Inteligentes para as Mudanças Climáticas, ele argumenta agora que a questão deve ser tratada, sim, como prioridade.

 

"Lomborg tem conhecimento da necessidade de gastos públicos com os impactos no clima provocados pelo homem. Ele está certo ao afirmar que a energia proveniente do vento, das ondas e do sol será a energia do futuro, e precisará de grande apoio dos governos. Uma taxa sobre emissões de carbono para arrecadar fundos é, sem dúvida, parte da solução, mas a regulação e os gastos públicos também têm seu lugar", disse Childs. "Mas ele ainda está perigosamente atraído pelas soluções mais baratas e arriscadas, pondo muita fé em futuras tecnologias e não está dando atenção para a necessidade urgente de reduzir emissões através de soluções já existentes e de mudança de comportamento", completa.

 

A preocupação com o aquecimento global, ao invés de estar próxima do final da lista de prioridades dos governos, como Lomborg disse em 2004, levou o estatístico a propor uma taxa global de carbono para arrecadar US$ 250 bilhões para ltar contra os efeitos do aumento de temperaturas e do nível dos oceanos. Segundo ele, o dinheiro seria dividido entre o desenvolvimento e a pesquisa de energias limpas (US$ 100 bi), soluções de geo-engenharia baratas (como refletir a energia solar de volta para o espaço (US$ 1 bi) e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas (US$ 50 bi). Ele sugeriu também que US$ 99 bi devem ser resguardados para investimento em atividades tradicionais como prover a população dos países pobres com água limpa e cuidados com a saúde.

 

"Eu não estou surpreso. Ele tem falado mais ou menos a mesma coisa há anos. O processo das Nações Unidas não está funcionando. Isso que ele diz é melhor e mais realista. Suas propostas são muito mais sensíveis do que qualquer tentativa de convencer a China e a Índia de parar as suas emissões", disse Benny Peiser, diretor da thinktank Global Warming Policy Foundation.

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