Thierry Charlier/AP
Thierry Charlier/AP

Ex-Beatle pede menor consumo de carne para ajudar o clima

McCartney lembrou que a produção de carne é responsável pela emissão de 18% dos gases-estufa no mundo

Efe,

03 Dezembro 2009 | 15h56

O ex-Beatle Paul McCartney disse nesta quinta-feira, 3, no Parlamento Europeu que não comer carne um dia por semana é a atitude individual mais eficaz para frear a mudança climática.

 

Veja também:

linkUE diz que não há espaço para corte de 30% de CO2 no bloco

linkMerkel e Lula atuarão por acordo na cúpula de Copenhague

especialO mundo mais quente: mudanças geográficas devido ao aquecimento

especialEntenda as negociações do novo acordo  

 

"Não é tão difícil, eu garanto", afirmou o músico, que discursou junto ao presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o cientista indiano Rajendra Pachauri, na conferência "Less Meat = Less Heat" ("menos carne = menos calor", em tradução livre).

 

Conhecido vegetariano e ativista meio ambiental, Paul interrompeu sua turnê europeia para defender a dieta vegetariana diante dos muitos presentes a sua visita ao Parlamento Europeu, que o receberam de pé e com uma grande salva de palmas.

 

Em seu discurso, o ex-Beatle lembrou que decidiu se unir à causa de um dia por semana sem carne depois de ler um relatório das Nações Unidas publicado em 2006. Entre outros dados, o documento revelava que a produção de carne emite 18% dos gases do efeito estufa - mais até que o transporte, com 13% - e, além disso, é em grande parte responsável pelo desmatamento e pela escassez de água no planeta.

 

"Produzir um hambúrguer consome a mesma quantidade de água que um banho de quatro horas", afirmou o músico de Liverpool.

 

Algumas cidades já adotaram esta iniciativa, como Gent (Bélgica) ou Baltimore (Estados Unidos), onde os refeitórios escolares não servem carne uma vez por semana.

 

McCartney também dedicou parte de seu discurso aos milhares de agricultores que ganham a vida com a criação de gado, para os quais pediu a ajuda dos Governos na adaptação para novas práticas mais amistosas com o meio ambiente.

 

Já Pachauri explicou que uma política alimentar sustentável, com uma redução do consumo de carne, surgiu nos últimos anos como uma das medidas mais eficazes para deter o aquecimento global.

 

O cientista indiano lembrou diversos dados alarmantes sobre o assunto, por exemplo, que 70% dos trechos desmatados da Floresta Amazônica a cada ano são usados para pastos ou que são necessários dez quilos de cereais na alimentação das cabeças de gado para produzir um quilo de carne bovina.

 

"A maior parte da produção vegetal se destina a alimentar gado. Se não fosse assim, os cereais poderiam ser usados para satisfazer a fome dos pobres", disse Pachauri.

Mais conteúdo sobre:
Paul McCartney carne mudança climatica

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.