Keld Navntoft/Reuters - 16/12/2009
Keld Navntoft/Reuters - 16/12/2009

Evo Morales culpa capitalismo pelas mudanças climáticas

Presidente boliviano exige que países desenvolvidos repararem os danos 'presentes e futuros' da poluição

Efe,

16 Dezembro 2009 | 11h54

O presidente da Bolívia, Evo Morales, proclamou nesta quarta-feira, 16, a "obrigação" de defender os direitos da mãe Terra e disse que a mudança climática é principalmente um "efeito" do modelo de desenvolvimento do sistema capitalista.

 

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"Se quisermos salvar a Terra e a humanidade, não temos outra alternativa do que acabar com o sistema capitalista", afirmou Morales, em entrevista coletiva no décimo dia da cúpula da ONU sobre mudança climática (COP-15), realizada em Copenhague.

 

Morales reivindicou a "cultura da vida", que quer salvar toda a humanidade, frente à "cultura da morte" do capitalismo, que só quer salvar a metade dos seres humanos, em referência aos países desenvolvidos.

 

O pagamento de uma "dívida climática" dos países ricos aos países em desenvolvimento, a criação de um Tribunal de Justiça Climática para julgar os países poluentes e que o crescimento da temperatura média global do planeta no final de século a respeito dos níveis pré-industriais não supere 1 grau são algumas das propostas bolivianas.

 

A "dívida climática" inclui a devolução aos países em desenvolvimento do espaço atmosférico necessário para seu progresso e que foi ocupado pelo mundo industrializado com suas emissões de gases do efeito estufa, afirmou. Essa ideia já era reivindicada por Fidel Castro há duas décadas, lembrou Morales, quando pedia para pagar antes a "dívida ecológica" do que a externa.

 

Os países ricos deverão reduzir e absorver suas emissões e reparar os danos "presentes e futuros" causados pelos efeitos da mudança climática, afirmou Morales, que não quis esclarecer se a Bolívia pretende bloquear as negociações, e preferiu se concentrar em sua proposta.

 

O direito universal à água, a amparada pelos países ricos dos refugiados pelos efeitos da mudança climática e o fim da dependência do petróleo foram outros pontos de seu discurso.

 

Morales qualificou de "vergonha" a oferta promovida pela ONU para que os países ricos doem US$ 10 bilhões anuais até 2012, e denunciou que os Estados Unidos gastem trilhões em "exportar o terrorismo no Iraque e no Afeganistão" e em suas novas bases na América Latina.

 

O presidente boliviano defendeu o "viver bem" das culturas indígenas frente à industrialização "irracional", buscando a igualdade e a harmonia com a natureza. "A Terra pode e vai existir sem o ser humano, mas este não pode viver sem ela, por isso é mais importante o direito da Terra que os direitos humanos, apesar de que defender a Terra é defender a vida e salvar à humanidade", disse.

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