Europa se cala sobre ajuda financeira contra o efeito estufa

Bloco havia citado intenção de oferecer bilhões de dólares a países pobres, mas proposta sumiu do debate

Reuters,

16 Outubro 2009 | 14h20

A União Europeia (UE) silenciou a respeito de suas promessas de pagar até US$ 22,4 bilhões ao ano para os países pobres, como parte de um acordo para enfrentar a mudança climática, mostram documentos preliminares.

 

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Ministros de meio ambiente e finanças preparam-se para três dias de reuniões na próxima semana, a fim de discutir o financiamento, que se tornou um ponto saliente das discussões que devem culminar no acordo de combate ao aquecimento global que será firmando em dezembro na Dinamarca.

 

"É um erro tático pôr ofertas na mesa quando os outros ainda não se comprometeram", disse um diplomata europeu. "Isto seria tratado como um fato consumado", afirmou outro.

 

Países pobres vêm afirmando que serão incapazes de cortar emissões e fazer a adaptação à nova realidade climática sem a ajuda das nações industrializadas, que enriqueceram poluindo a atmosfera.

O órgão executivo da UE, a Comissão Europeia, no mês passado sugeriu que a União fornecesse de 2 bilhões a 15 bilhões de euros ao ano, até 2020, para quebrar o impasse.

 

O custo global para os países pobres seria de cerca de 100 bilhões de euros ao ano até 2020, estimou a comissão, um número parcialmente aceito no rascunho do relatório preparado para a reunião ministerial de 19 e 20 de outubro.

 

"O conselho toma nota disso como uma estimativa útil para os esforços gerais públicos e privados, mas também reconhece a incerteza e o nível agregado de tais números", disse o rascunho, obtido pela agência de notícias Reuters.

 

Um relatório preparado para uma reunião de ministro de meio ambiente da UE, prevista para 21 de outubro, também evita menções à cifra de 15 bilhões de euros, ou qualquer indicação de quanto a União estaria disposta a pagar. 

 

Mas alguns diplomatas dizem que esse silêncio não é importante.

 

A UE deu mais detalhes que qualquer outra parte do mundo a respeito de sua estratégia para as negociações de Copenhague, que têm como objetivo criar um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, cuja vigência termina em 2012.

 

O bloco de 27 países prometeu cortar suas próprias emissões em 20% abaixo do nível de 1990 até 2020, e em elevar esse corte a 30%, se outras regiões ricas do globo fizerem o mesmo.

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