Europa poderia salvar o planeta com 2 euros por dia, diz estudo

Mudanças no estilo de vida europeu incluiriam cortar 60% do consumo de carne e diminuir viagens aéreas

Pete Harrison , da Reuters

01 Dezembro 2009 | 15h02

Os europeus poderiam ajudar a reduzir as emissões a níveis muito mais seguro por apenas 2 euros - cerca de R$ 5,25 - por pessoa por dia, mas teriam de economizar em transporte e no consumo de carne, segundo um relatório divulgado na terça-feira. Outras mudanças de longo prazo que incluem o uso do trem no lugar do avião para viagens de menos de mil quilômetros, de acordo com o relatório do Stockholm Environment Institute, encomendado pelo Friends of the Earth da Europa (FoEE). 

 

O estudo visa um corte europeu de emissões em 40% abaixo dos níveis de 1990 durante a próxima década. "Não se trata apenas do investimento, tem a ver também com mudanças no estilo de vida", disse o ativista da FoEE, Sonja Meister. "Este relatório mostra um caminho de redução nas viagens aéreas na União Europeia em 10% até 2020 e nas viagens em veículos particulares em 4%. Viajar de trem aumentaria em 9%, e o consumo de carne seria reduzido em cerca de 60%."

 

A União Europeia comprometeu-se a reduzir as emissões de carbono em 20% até 2020. Também diz que vai cortar quase um terço, se outras nações ricas concordarem em seguir o exemplo durante a reunião do clima em Copenhague este mês. 

 

Mas muitos cientistas dizem que são necessários cortes muito mais profundo por parte dos países ricos para manter o aumento da temperatura ambiente inferior a 2º C. Os países mais pobres que participarão da conferência dizem que nações industrializadas foram as primeiras responsáveis por causar o problema climático e devem reduzir as emissões em 40% abaixo dos níveis de 1990. 

 

Isso poderia ser alcançado na Europa por um custo de 2 trilhões de euros - pouco mais de R$ 5 trilhões -, ou cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado durante a próxima década, disse o relatório. "Dito de outro modo, esse custo seria o equivalente a manter temporariamente um PIB constante durante cerca de um ano, antes de retomar o crescimento normal ", acrescentou. 

 

O custo equivale a cerca de 2 euros por europeu por dia, mas não leva em conta o impacto positivo da criação de postos de trabalho e da diminuição das despesas sobre as importações de hidrocarbonetos.     Fiel à política da FoEE, a análise exclui o uso de energia nuclear ou a tecnologia de captura e armazenamento de carbono, que permitiria aos fornecedores europeus de energia manterem a queima de carvão.

 

Em vez disso, o estudo pressupõe que os europeus vão aceitar impostos mais altos e alterações maiores em seu estilo de vida - algo que os políticos ainda não se atreveram a pedir. Essas mudanças de estilo de vida teriam de continuar até 2050, levando a um corte de 90% nas emissões, diz o relatório. 

 

Viagens em automóveis particulares teriam de ser reduzidas para 43% de todos os deslocamentos até 2050, comparado aos cerca de 75% atuais, enquanto as pessoas trocariam o transporte aéreo pelo ferroviário em 80% dos vôos de menos de mil quilômetros feitos hoje. A energia eólica poderia ser ampliada além dos seus atuais 3,3%  de capacidade de geração para até 22% em 2020 e 55% em 2050.

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