Europa e países insulares propõem novo texto em Cancún

Documentos que vazaram da COP -16 mostram confecção de um texto ‘paralelo’; proposta foi considerada ultrajante por nações em desenvolvimento

The Guardian

09 Dezembro 2010 | 15h49

De acordo com documentos que vazaram da COP - 16, a Europa e um grupo de pequenos estados insulares do Pacífico propuseram em conjunto um novo tratado internacional nas negociações climáticas de Cancún, no México, para conseguir o comprometimento de países desenvolvidos e em desenvolvimento com o corte de emissões. A notícia foi dada pelo jornal britâncido The Guardian, que, juntamente com indiano Times, teve acesso aos documentos.

 

 

O movimento foi considerado um ultraje por muitos países em desenvolvimento, incluindo a China, o Brasil e a Índia, que temem que os países ricos usem a proposta para estabelecer as bases para abandonar o Protocolo de Kyoto e substituí-lo por uma alternativa muito mais fraca.

 

 

O  novo texto de negociação poderia provocar um sério racha nas já combalidas e complicadas conversações sobre o clima, porque o Protocolo de Kyoto é o único compromisso dos países ricos com metas de redução de emissões. 

 

 

O tratado, adotado em 1997 e cuja renovação está prevista para 2012, tem sido alvo de argumentações virulentas em Cancún, com o Japão se recusando a assinar uma segunda rodada de promessas de redução.

Alguns países latino-americanos declararam que não assinarão nenhum acordo se o Japão não aderir.

 

 

Observadores disseram na quarta à noite que para quebrar o impasse e salvar as negociações da falência, a presidência mexicana começou a preparar textos novos que seriam apresentados aos 193 países presentes à negociação em 24 horas.

 

 

 

À Grâ-Bretanha e a outros três países foram pedidos textos pequenos que, espera-se, sejam usados em um texto final a ser apresentado na conclusão do encontro no México, nesta sexta (10).

 

 

 

Um dos resultados a esperar, disseram fontes próximas aos negociadores, seria a adoção pela ONU de boa parte dos elementos do controverso Acordo de Copenhague - incluindo o compromisso político não vinculante de redução de emissões defendido pelos EUA, que, assim, levariam a melhor sobre os outros países desenvolvidos.

 

 

 

"Encontros informais estão acontecendo. Não nos importamos que os resultados desses encontros sejam levados às discussões formais, mas não há indícios de que isso esteja acontecendo. O texto não deve ser desenhado por meia dúzia de ministros", disse o embaixador boliviano para a ONU, Pablo Solon.

 

 

Em um encontro tenso nesta quarta, a Bolívia e a Arábia Saudita reclamaram com a presiência mexicana sobre reuniões a portas fechadas, argumentando que as questões deveriam ser reveladas antes para todas as partes envolvidas nas negociações.

 

 

Mas a prática de realizar conversas extra-oficiais foi defendida por outros países. Qumrul Choudhury, porta-voz do grupo de países menos desenvolvidos, disse que as nações deveriam ser "pragmáticas".

 

 

"Há um grande senso de urgência. Nós temos de usar todos os meios possíveis para negociar. Todos os países foram convidados a colocar suas posições explicitamente", disse ele.

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